A indústria de cruzeiros afirmou-se em 2024 como um motor relevante da economia portuguesa, gerando um impacto económico de 940 milhões de euros e assegurando 9.800 postos de trabalho no país. Os dados foram revelados esta terça-feira pela Cruise Lines International Association (CLIA), a maior associação mundial do setor, durante a sua Cimeira Europeia que decorre no Funchal.
De acordo com o Estudo de Impacto Económico apresentado, a atividade contribuiu com 410 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional e destinou mais de 225 milhões de euros para o pagamento de salários. O principal motor deste crescimento foi a despesa das próprias companhias de cruzeiros em território nacional, que ascendeu a 174 milhões de euros e representou 42% do impacto total no PIB. A estes valores somam-se os 150 milhões de euros gastos por passageiros e tripulantes em negócios locais, um impulso direto para o comércio e serviços das regiões visitadas. O setor beneficiou ainda de investimentos na ordem dos 78 milhões de euros em construção naval e expansão portuária.
A nível europeu, o panorama é igualmente expressivo. O setor apoiou 445 mil empregos e gerou um impacto económico de 64,1 mil milhões de euros, dos quais 28 mil milhões contribuíram diretamente para o PIB do continente. A despesa direta relacionada com cruzeiros atingiu os 31 mil milhões de euros, incluindo 14 mil milhões em bens e serviços adquiridos a fornecedores europeus e 10 mil milhões em construção naval.
Em comunicado, Bud Darr, Presidente e CEO da CLIA, na foto com Ana Paula Cabaço, Presidente da APRAM, sublinhou a importância do setor para o tecido económico europeu: “Estes números demonstram que o turismo de cruzeiros é uma parte integral da economia marítima europeia, entregando valor significativo em todo o continente — apoiando empregos, negócios e comunidades costeiras através de uma cadeia de valor ampla e interligada”.
O responsável salientou ainda que os benefícios se estendem para além dos grandes portos, apoiando economias locais em regiões costeiras, insulares e remotas, o que contribui para fluxos turísticos mais equilibrados. Já Nikos Mertzanidis, Diretor Executivo da CLIA Europa, destacou o papel do setor na sustentabilidade do turismo: “Os cruzeiros representam cerca de 3% do turismo global, ao mesmo tempo que entregam benefícios económicos significativos aos destinos e comunidades. Para regiões insulares e marítimas, em particular, podem representar uma fonte estável e recorrente de rendimento, promovendo viagens fora da época alta e um turismo mais responsável”.









