Começando por deixar os melhores votos de um excelente 2026 para aqueles que nos visitam nas diferentes plataformas em que marcamos presença, é tempo de olhar para a frente e antecipar o que poderemos esperar deste novo ano que agora começa. No que diz respeito a Portugal, 2026 chega com a proposta de um paradoxo: consolidar a posição económica excecional conquistada em 2025 enquanto navega por pressões políticas domésticas, geopolíticas externas e vulnerabilidades estruturais internas.
Já em termos globais, o ano de 2026 que começou há algumas horas será definido pela continuidade de tensões geopolíticas e alguns conflitos, nomeadamente na Ucrânia e na faixa de Gaza, mas também na Venezuela, no Sudão e em Taiwan, que continuarão a moldar a agenda económica e de segurança. E se os últimos podem crescer em impacto e importância, os primeiros prosseguem sem que se antecipe um fim à vista.
Perspectivas para Portugal
- Estabilidade Macroeconómica num Contexto Desafiante: Portugal entra em 2026 como a “economia do ano” da The Economist. Espera-se que o crescimento mantenha um ritmo sólido (cerca de 2.3%), suportado por um contexto de taxas de juro do BCE estabilizadas em 2%, o que trará “paz” aos custos de financiamento de famílias e empresas altamente endividadas. No entanto, esta estabilidade ocorre sob pressão. A criação de emprego prevê-se em forte desaceleração, passando de 2.2% em 2025 para 1.1% em 2026, com a taxa de desemprego a subir ligeiramente. Além disso, o poder de compra continuará tensionado pelo aumento de preços em setores essenciais como arrendamento (+2.24%), transportes ferroviários (+2.26%), e algumas telecomunicações e alimentos, num ano em que a inflação deverá rondar os 2.1%.
- Inovação como Pilar Crítico de Futuro: 2026 será um ano decisivo para transformar o reconhecimento económico em vantagem competitiva duradoura. O ecossistema de inovação (que já conta com mais de 5,000 startups) deve consolidar-se como motor económico, especialmente em áreas estratégicas como a Inteligência Artificial, saúde, defesa e transição energética. O grande desafio nacional será superar constrangimentos regulatórios e burocráticos para passar de consumidor a produtor de inovação com escala global. Simultaneamente, o turismo espera captar viajantes globais em 2026 através de uma oferta renovada que funde património histórico com iniciativas ecológicas e desenvolvimentos urbanos modernos em Lisboa, Porto e outras regiões.
- Despesa Militar e Vulnerabilidades Estruturais: Os impactos do cenário geopolítico global imporão escolhas difíceis. Portugal, como a Europa, encontra-se numa “corrida contra o tempo” na defesa, com a guerra na Ucrânia e outras tensões a forçar um aumento do investimento militar. Isto acontece num “caminho exíguo” para as Finanças Públicas, onde a dívida, embora em queda (para cerca de 88.2% do PIB), continua muito elevada, exigindo a manutenção de excedentes orçamentais. A pressão sobre os preços da habitação, que já apresenta um rácio preço/rendimento “dos mais elevados da OCDE”, deverá agravar-se. Em paralelo, o país precisa de investir em infraestruturas críticas (como a rede elétrica, após o apagão de 2025) e acelerar a absorção dos fundos europeus, uma “última grande oportunidade” de financiamento, segundo Marcelo Rebelo de Sousa.
Expectativas para o Mundo
- Estabilidade Monetária num Crescimento Anémico: Após a turbulência de 2025, espera-se um ano de estabilização das políticas monetárias. O BCE deverá manter as taxas de juro em 2%, uma pausa crucial para as economias europeias. Contudo, este cenário de “paz” nas taxas de juro contrasta com uma perspetiva de crescimento global débil. As maiores economias da Europa, como Alemanha, França e Itália, “caminham à sombra da estagnação, quase recessão”. As políticas de “America First” dos EUA e as tarifas comerciais impostas em 2025 deixaram cicatrizes, apesar de se esperar um “clima menos agreste” no comércio internacional.
- Geopolítica e IA como Eixos Dominantes: Os “dois principais temas que irão moldar o desempenho da economia a médio prazo” serão a geopolítica e o investimento em Inteligência Artificial. Os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente continuarão a exigir recursos e a moldar as políticas de defesa e energia. Em paralelo, uma corrida tecnológica global centrar-se-á na capacidade de posicionar-se na cadeia de valor da IA. Para a Europa, a ambição será não apenas investir, mas garantir a rentabilização dos enormes investimentos nesta área.
- Turismo Global em busca de Significado e Sustentabilidade: As tendências de viagens para 2026 refletem um desejo global de conexão autêntica e fuga do superficial. O astro-turismo, impulsionado por eventos como o eclipse solar total que se antecipa para 12 de agosto, a viagem nostálgica e as experiências comunitárias imersivas estão em alta. Os viajantes procuram evitar o overtourism (fator decisivo para 44% dos britânicos) e valorizam viagens em solitário e o “bleisure” (mistura de negócios com lazer). A sustentabilidade e a imersão cultural deixaram de ser tendências para se tornarem exigências centrais, tanto no turismo de lazer como no corporativo.
Um Novo Ano que exige
estabilidade económica
Em síntese, 2026 será para Portugal um ano de gestão inteligente do sucesso, onde a consolidação da inovação e a manutenção da estabilidade económica terão de coexistir com o financiamento de prioridades urgentes como a defesa e as infraestruturas, sem descuidar vulnerabilidades sociais como o custo de vida e a habitação. Globalmente, o ano será de transição: a geopolítica continuará a ditar a agenda, mas o foco começará a deslocar-se da gestão de crises imediatas para a construção de vantagens estratégicas de longo prazo na tecnologia e numa globalização mais resiliente, com os viajantes a personificar essa busca por significado e sustentabilidade.









