O FC Porto somou a terceira derrota em três jogos na fase de liga da Liga dos Campeões, ao cair por 0-1 frente ao PSV Eindhoven no Estádio do Dragão. O resultado, ainda assim, é até generoso para o que se passou em campo. A equipa portista foi durante largos períodos uma sombra de si própria, lenta a pressionar, previsível com bola e incapaz de incomodar verdadeiramente um adversário que, sem deslumbrar, controlou quase sempre o jogo.
Farioli apostou em regressos de risco — Samu, Pietuszewski e Zaidu lançados de início — e a aposta correu-lhe mal. O PSV encontrou com uma facilidade desarmante o passe directo do guarda-redes para o central direito, saltando a primeira linha de pressão portista e instalando-se no meio-campo do Dragão. Os números do primeiro tempo não deixam dúvidas: 66% de posse de bola para os neerlandeses e o dobro dos passes efectuados.

Sem capacidade de resposta e com Farioli a ver passar os minutos sem esboçar qualquer reacção, o FC Porto limitou-se a responder em transições isoladas, com Pietuszewski a ser o único jogador que procurou remar contra a maré, surgindo a espaços a criar algum perigo real mas ainda assim inconsequente pela falta de ajuda dos seus companheiros. Aos 42 minutos, Kostic acertou no poste da baliza à guarda de Diogo Costa e deixava o aviso sobre aquilo que acabou por acontecer mais tarde.
O golo chegou aos 57 minutos, e nasceu exactamente da incapacidade portista em sair da pressão. Bajraktarevic rematou ao poste, o PSV reciclou a jogada e Til, com um toque de instinto, empurrou para o fundo das redes de Diogo Costa. Farioli mexeu em jeito de reacção, depois de não ter agido anteriormente, lançou Gabri Veiga para pressionar mais alto e o FC Porto finalmente deu alguns sinais de estar acordado. Durante vinte minutos, os dragões criaram o suficiente para merecer outro resultado — é verdade —, mas o PSV estava já confortável na forma como controlava a vantagem e o resultado não se alterou até ao apito final do árbitro.

Ficha do jogo
FC Porto 0-1 PSV Eindhoven
Competição: Liga dos Campeões UEFA (3.ª jornada)
Estádio do Dragão
Ao intervalo: 0-0
Árbitro: Daniel Siebert (ALE)
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior e Zaidu (Souza, 69′); Froholdt (Fofana, 76′), Rosario e Gabri Veiga (Borja Sainz, 60′); Pepê, Samu (André Silva, 60′) e Pietuszewski (in-Beom, 60′)
Treinador: Francesco Farioli
PSV Eindhoven: Kovar, Dest, Geertruida, Gasiorowski (Obispo, 64′) e Kostic (Flamingo, 88′); Sano, Til e Mauro Jr. (Man, 81′); Bajraktarevic (Fernandez, 81′), Mijnans e Perisic (Bouhamdi, 88′)
Treinador: Peter Bosz
Golos:
- 0-1 Guus Til
Ação disciplinar:
Cartão amarelo: Geertruida (39’), Mauro Júnior (75′)

Os adeptos portistas mostraram o seu desagrado, até porque se é verdade que o FC Porto conseguiu aparecer sobre o relvado com algum querer nos últimos 20 minutos, tudo o que tinha feito antes (ou o que não fez) acabou por penalizar o conjunto azul e branco com a terceira derrota nesta competição da UEFA. É certo que o FC Porto poderia ter conseguido algo mais, mas dizer isso pela terceira vez consecutiva, como o próprio treinador admitiu, já não serve de consolo.
O apito final trouxe assobios do Dragão, com os Super Dragões a manifestarem a insatisfação de forma ruidosa. Houve tensão entre Bednarek e Kiwior e os adeptos da claque portista, e Farioli ainda tentou aplaudir a claque, num gesto que soou mais a pedido de paciência do que a agradecimento. A verdade é que o FC Porto está no 33.º lugar da fase de liga, com zero pontos, e a montanha que o treinador italiano invocou já não é uma metáfora distante — é o que resta de uma campanha europeia que começou a desmoronar-se antes de sequer ganhar forma. Os adeptos portistas, habituados a outra capacidade de resposta da sua equipa, desde logo com uma “folha limpa” no campeonato nacional da I Liga, exigem mais também nas provas da UEFA.












