TOBU Lang (1709,70€)

A fOsqa transforma lâmpadas em peças de autor

Há um novo projeto português que quer que se olhe para uma lâmpada mesmo quando ela está apagada. A fOsqa não é uma marca de iluminação no sentido tradicional. Funciona mais como uma plataforma curatorial, que tira a luz da gaveta da função e a coloca no território da arte e da arquitetura. A primeira coleção é assinada pelo arquiteto Pedro Geraldes, numa parceria com a KATOA Lighting, marca portuguesa dedicada ao desenvolvimento e produção de soluções de iluminação. A KATOA traz o conhecimento técnico e a capacidade de produção; Pedro Geraldes traz o gesto artístico e a visão. A lógica é simples: cada peça parte de uma ideia e de uma identidade, e só depois se torna num objeto capaz de iluminar uma casa.

A coleção inaugural reúne cinco criações — TOBU, MIES, NEIL, UNSYM e ÍCARO. Os nomes são diferentes, e as peças também. A TOBU é uma família de luminárias de volumes retangulares alongados com estrutura em aço, que explora a verticalidade, a simetria e a assimetria, e onde a cor não é acabamento mas matéria ativa: muda a perceção do objeto e a atmosfera do espaço, mesmo com a luz desligada. A MIES é uma homenagem à linguagem de Mies van der Rohe, com a luz a emergir da distância entre dois planos deslocados. Pode ser orientada a 90, 180, 270 ou 360 graus, e cada plano pode receber uma cor, um material ou um acabamento diferente. Não se escolhe apenas uma MIES: constrói-se a sua.

A NEIL parte da relação entre a luz e o corpo e traz a lua para a altura do olhar. Inspirada no primeiro ser humano a pisar a superfície lunar, combina uma grande forma circular luminosa com uma estrutura mínima em negro profundo. Apagada, quase desaparece; acesa, a luz torna-se envolvente e quase tátil. A UNSYM parte da assimetria e da relação entre formas distintas para chegar a um equilíbrio inesperado, desafiando a ideia de que o equilíbrio depende da simetria. Embora apresentada neste lançamento, a sua comercialização só está prevista para os próximos meses. Já a ÍCARO leva a coleção para um território mais performativo e provocador: o abat-jour sai do lugar habitual e coloca-se sobre a cabeça, transformando quem o usa numa fonte de luz e numa escultura viva. Tal como a figura mitológica que lhe dá o nome, escolhe aproximar-se da luz e assumir o risco desse gesto.

Pedro Geraldes resume o espírito da coleção numa frase: “A alegria pode ser desenhada. O silêncio também.” É uma boa forma de descrever estes objetos, que oscilam entre peças expressivas, coloridas e provocadoras e outras que quase desaparecem para deixar a luz ocupar o lugar principal. Num momento em que boa parte do design converge para linguagens neutras e seguras, o arquiteto prefere explorar os extremos: o objeto que se impõe e o objeto que sussurra.

Há aqui uma ideia que vale a pena sublinhar. Quem compra uma luminária normalmente escolhe entre função e estilo, porque a maioria dos produtos não tem muito mais para oferecer. A fOsqa aposta em algo diferente: peças assinadas, com narrativa e ponto de vista, produzidas na fábrica da KATOA, que garantem que o conceito não fica preso ao papel. O público-alvo não é só o consumidor final. Passa também por arquitetos, designers de interiores, colecionadores, hotéis, restaurantes, lojas e projetos culturais que procurem objetos com autoria e identidade.

O crescimento da marca não vai depender de uma estética única, mas do olhar curatorial de Pedro Geraldes e dos autores que for convidando. A fOsqa quer trazer artistas, arquitetos, designers, escultores, ilustradores e artesãos, nacionais e internacionais, para interpretar a luz a partir dos seus próprios universos. Cada coleção será uma voz diferente dentro do mesmo espaço. Os próximos capítulos já estão a ganhar forma: entre as próximas colaborações estão a artista multidisciplinar dinamarquesa Tilde Grynnerup e o designer austríaco Stefan Sagmeister, dois nomes internacionais reconhecidos pela forma como cruzam arte, design, matéria e emoção.

A primeira coleção pode ser descoberta e adquirida online em www.fosqa.com. Para quem procura algo que vá além da iluminação funcional, vale a pena espreitar. Mesmo sem comprar nada, ver como um projeto português está a redesenhar a fronteira entre função e expressão é, por si só, interessante.

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