O Sporting venceu esta sexta-feira o Braga por 3-1, no Estádio Municipal de Braga, no jogo da oitava jornada do campeonato da I Liga. O resultado não conta toda a história da partida: os leões estiveram a perder ao intervalo, depois de um autogolo de Rui Silva — a bola foi ao poste, ressaltou na coxa do guarda-redes e entrou na baliza leonina —, e só viraram o jogo na segunda parte, já depois de Rui Borges ter ido buscar ao banco as peças determinantes do seu plantel que se revelaram capazes de mudar tudo.
O Braga entrou melhor no jogo. Durante boa parte do primeiro tempo, o conjunto bracarense foi a equipa mais organizada e mais intensa, a pressionar alto e a incomodar a saída do Sporting, e o golo da turma da casa acabou por chegar “naturalmente” ainda antes do intervalo: um remate de Huseinbasic levou a bola a bater no poste direito da baliza do Sporting e a ressaltar em Rui Silva antes de entrar na baliza, acabando por ser registado como autogolo do guarda-redes leonino. Era um daqueles lances com sorte à mistura, mas por aquela altura o Braga já tinha feito por merecer a vantagem.
Mesmo em desvantagem no marcador, a verdade é que o Sporting não estava mal, mas faltava-lhe pontaria e eficácia nos lances determinantes. Vagiannidis tentou, Catamo acertou na trave e Irankunda, frente a uma bola solta na área, hesitou e perdeu o momento. Por tudo isto, ao intervalo, o 1-0 no marcador vantajoso para os bracarenses era justo, num jogo em que era evidente que nada estava resolvido e a liderança do marcador por parte do Braga era meramente circunstancial.







Regressados os dois onzes sem alterações para a etapa complementar, a segunda parte começou com o Braga muito perto do segundo golo. Pau Victor tentou um chapéu sobre Rui Silva e Fresneda, que assinou uma excelente exibição, salvou em cima da linha. Se aquele lance tivesse dado em golo, o jogo dificilmente teria o desfecho que teve.
Força dos leões
veio do banco
Rui Borges percebeu que precisava de mudar algo no Sporting e, por volta do minuto 58, lançou três mudanças de uma vez, com as entradas de Maxi Araújo, Luis Suárez e Zalazar. Os três vinham das seleções, tinham viajado e nem tempo tiveram de treinar com o grupo — Suárez apresentou-se diretamente no estágio da equipa. Foi uma aposta arriscada, mas que se revelou decisiva num jogo que se apresentava como particularmente difícil para o Sporting, ainda mais quando o Braga já estava em vantagem.
Aos 66 minutos, Irankunda cruzou da direita e Suárez, saltando sem oposição à entrada da pequena área da baliza bracarense, cabeceou para o empate. Cinco minutos depois, Zalazar entrou na área pela esquerda, rematou, a bola efectuou alguns ressaltos entre um defesa bracarense e o guarda-redes Bernardo Fontes, acabando por ser este a dar o toque que enviou a bola para o fundo da baliza da equipa da casa. Já perto do fim, ao minuto 82′, foi o próprio Zalazar a fechar a contagem com um remate seco, depois de conduzir desde o meio-campo. Em dezasseis minutos, o Sporting transformou uma derrota anunciada numa vitória clara.








Zalazar acabou assim por ser o jogador decisivo neste jogo, ele que jogou pouco mais de 20 minutos, afinal o suficiente para deixar a sua assinatura num triunfo que era importante para o Sporting. Sem ter sido exuberante nos festejos — o jogador uruguaio não festejou mesmo o golo que marcou — por respeito ao Sporting de Braga de onde saiu para Alvalade, Rodrigo Zalazar foi o homem do jogo já que foi ele, a par de Luis Suárez, quem desmontou a estratégia do Braga, permitindo para o Sporting um importante triunfo em casa daquele que é apontado como o “quarto grande” do futebol português.
Importa dar crédito a quem aguentou o jogo enquanto foi possível. Irankunda, apesar da hesitação inicial, fez a assistência para o primeiro golo e nunca se escondeu. Doumbia deu luta no meio-campo, Anderssen cumpriu na sua primeira titularidade na liga e Ioannidis foi lutando enquanto teve pernas. Foram eles que seguraram a equipa até ao momento em que a força vinda do banco decidiu o encontro.










Penálti por assinalar
ao minuto 48′
Uma nota para a arbitragem de João Pinheiro, ele que cometeu um erro com possível interferência no resultado, isto porque ficou por assinalar uma grande penalidade favorável ao Braga quando, ao minuto 48, Doumbia cortou a trajectória da bola com a mão depois de um remate de Ricardo Horta.
O corte foi feito ainda dentro da área, o antebraço do jogador leonino estava em paralelo com o solo e a bola, ao embater na mão de Doumbia, houve um corte ilegal que deveria ter sido sancionado com a grande penalidade. A verdade é que João Pinheiro nada assinalou e Manuel Mota, o VAR deste jogo, também não entendeu haver motivos para chamar o árbitro a rever o lance.
Sem outros erros de monta, esta falha de João Pinheiro existiu de facto e deverie ter merecido, o lance, de uma análise mais detalhada, ainda que o árbitro pudesse depois disso manter a sua decisão de nada assinalar.





Ficha do jogo
SC Braga 1-3 Sporting
Competição: I Liga (8.ª jornada)
Estádio Municipal de Braga
Ao intervalo: 1-0
Árbitro: João Pinheiro
VAR: Manuel Mota
SC Braga: Bernardo, Sergio Barcia, Vítor Carvalho e Bajrami; Victor Gomez, Gorby, Moutinho (Tomás Marquéz, 74′) e Gabriel Silva (Gabri Martinez, 68′); Ricardo Horta, Pau Victor (Wind, 74′) e Huseinbasic (Dorgeles, 68′)
Treinador: Carlos Vicens
Sporting: Rui Silva, Fresneda, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio e Viagiannidis (Maxi Araújo, 59′); Doumbia e Altimira; Geny Catamo, Andersen (Zalazar, 59′ – João Simões, 85′) e Irakunda (Flávio Gonçalves, 79′); Ioannidis (Luis Suárez, 59′)
Treinador: Rui Borges
Golos:
- 1-0 Rui Silva (ag) (41′)
- 1-1 Luis Suárez (66′)
- 1-2 Bernardo Fontes (ag) (71′)
- 1-3 Zalazar (82′)
Ação disciplinar:
Cartão amarelo: Sérgio Barcia (89′); Flávio Gonçalves (89′)







Rui Borges sorri
e respira de alívio
De regresso à análise do jogo e do resultado final, para o treinador do Sporting, Rui Borges, a necessidade de uma vitória nesta partida tinha um peso extra. O Sporting vinha de dois empates e precisava de ganhar para não deixar o FC Porto aumentar a distância e para não ver a sua posição ainda mais questionada. Ele próprio reconheceu, no fim, que era uma resposta que a equipa devia a si mesma.
Do lado do Braga, o cenário é bem mais sombrio. A equipa somou a segunda derrota consecutiva — depois do desaire em casa com o Vitória de Guimarães, que custou a liderança — e ficou com 11 pontos, já arredada dos lugares da frente. A noite terminou com lenços brancos vindos das bancadas, sinal claro do descontentamento dos adeptos bracarenses. Carlos Vicens, que tinha começado a época com cinco vitórias e nenhum golo sofrido em casa, vê agora a pressão aumentar.
Uma nota final, menos boa para o Sporting: Zalazar, autor do segundo e do terceiro golos, saiu com queixas musculares na coxa e é dúvida para o jogo da Liga dos Campeões, a meio da semana, frente ao Lens.









