O sexto lugar alcançado pelo Gil Vicente na época passada pode dar a ideia de que Luís Pinto recebeu uma equipa consolidada, à qual bastaria juntar algumas peças. Mas a realidade é bem diferente. O treinador encontrou um plantel profundamente transformado e está a construir uma nova equipa em plena competição.
A formação que terminou a última época perdeu várias das suas principais referências. O mercado proporcionou ao clube o maior encaixe da sua história, superior a 40 milhões de euros, mas obrigou também a uma reformulação profunda do plantel.
Chegaram Samuel Portugal, Ricardo Esgaio, José Silva, David Moreira, Andreas Lausen, Diogo Prioste e Walace França, enquanto Gil Martins, Kaba e Gonçalo Maia deram o salto dos sub-23 para a equipa principal.
Mais do que substituir jogadores, Luís Pinto teve de criar novas referências. E essa é uma das marcas mais evidentes deste novo Gil Vicente: a aposta em futebolistas que ainda estão em processo de afirmação na I Liga.
Gil Martins, Kaba, Diogo Prioste, David Moreira ou Andreas Lausen representam uma nova geração à procura de se afirmar no principal escalão. O desafio passa por integrá-los, acelerar a sua adaptação e, ao mesmo tempo, construir rotinas e definir novas hierarquias dentro do grupo.
Ao mesmo tempo, jogadores como Ricardo Esgaio e Samuel Portugal trazem experiência a um plantel que continua à procura do equilíbrio entre juventude e conhecimento da I Liga. Samuel Portugal, contudo, ainda não foi utilizado.
O processo percebe-se também através de um número: nas primeiras seis jornadas, Luís Pinto já utilizou 22 jogadores. É o retrato de uma equipa ainda em construção, à procura de soluções para um plantel que mudou muito em relação à época passada.
Os resultados devem ser lidos neste contexto. O Gil Vicente soma oito pontos em seis jogos, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas, cinco golos marcados e cinco sofridos. Falta ainda disputar o encontro da segunda jornada, frente ao SC Braga.
Não se trata, por isso, de dar continuidade a uma equipa que terminou a época no sexto lugar. Trata-se de construir outra. É esse o ponto de partida para perceber o trabalho de Luís Pinto em Barcelos: um plantel profundamente renovado, vários jogadores em adaptação, novas referências e uma aposta clara na juventude.
O sexto lugar da época passada pertence à história recente do clube. A equipa que está agora em campo é outra. O Gil Vicente está em reconstrução. E Luís Pinto está a fazê-la em competição.









