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FC Porto bate Benfica e cavalga na liderança da I Liga

O FC Porto venceu este domingo o Benfica por 3-1, no Estádio do Dragão, no clássico da sétima jornada, e consolidou a liderança do campeonato com uma vantagem que já começa a parecer confortável. Cinco pontos separam agora os dragões das águias, seis sobre o Sporting, e estamos ainda em setembro.

Quanto à história do jogo, o Benfica até entrou melhor numa partida cujos primeiros sinais indicavam que iria ser equilibrada. Só que os dragões marcaram primeiro, por Gabri Veiga, e ao minuto 35 o Benfica saiu penalizado por uma infantilidade do defesa Lenglet, que viu o segundo amarelo depois de ter dado uma palmada em André Silva.

Um dos jogadores mais experientes do plantel encarnado acabava assim por deitar tudo a perder, colocando a sua equipa a jogar com menos um elemento em campo, o que se revelou fatal para as pretensões do conjunto de Lisboa às ordens de Marco Silva.

O jogo tinha começado com o Benfica por cima. Marco Silva montara uma pressão alta que complicou a saída portista durante os primeiros vinte minutos, com Rafa Silva a encontrar espaços e Prestianni a testar Diogo Costa e o FC Porto não conseguia segurar a bola. Todavia, nem por isso a equipa campeã nacional abriu espaços, manteve-se coesa, e na primeira oportunidade que teve para marcar revelou enorme eficácia, com Gabri Veiga a abrir o marcador à passagem da meia-hora.

Mais concretamente aos 31 minutos, Pepê lançou Gabri Veiga em profundidade e o espanhol, na cara de Samuel Soares, não perdoou. Foi um golo cirúrgico, daqueles que mudam o estado de espírito de um jogo, empolgando as bancadas do Estádio do Dragão, nesta partida com 49.560 adeptos, e levando o Benfica a acusar o golpe de imediato.

Infantilidade de Lenglet
custou o jogo ao Benfica

Quatro minutos depois, Lenglet, que já tinha amarelo, colocou a mão na nuca de André Silva num lance completamente desnecessário. O árbitro Miguel Nogueira não precisou sequer de escutar qualquer indicação do VAR, exibindo de imediato o segundo cartão amarelo e com isso o consequente vermelho para a expulsão do francês.

O central que chegou esta temporada ao Benfica como um jogador com traquejo e experiência deveria saber que neste tipo de jogos não poderia arriscar uma ação daquelas, ainda por cima depois de já ter visto um primeiro cartão amarelo. O certo é que o gesto do central benfiquista acabou por se revelar uma infantilidade que custou caro ao Benfica.

Marco Silva teve de mexer na sua equipa para equilibrar o sector defensivo, tirou Sudakov para meter Circati, perdendo com isso alguma ligação do meio-campo para a frente de ataque, cada vez mais reduzida a Pavlidis e um ou outro lance de inspiração de Prestianni. Acabou por isso o Benfica por recolher aos balneários para o intervalo a perder por uma bola e com menos um jogador sobre o relvado.

Benfica ainda surpreende,
mas Froholdt carimba a vitória

O que se seguiu no arranque do segundo tempo foi talvez o momento mais surpreendente da noite. Mesmo com apenas dez elementos dentro das quatro linhas, o Benfica voltou melhor do balneário e empatou o jogo, aos 51 minutos. Prestianni tirou dois adversários do caminho e cruzou com conta, peso e medida para Bah, que apareceu mais rápido sobre a bola do que Diogo Costa, assinando o golo encarnado. O público do Estádio do Dragão acusou o golo sofrido e por instantes sentiu-se o silêncio.

Só que o FC Porto evitou qualquer letargia e a recuperação de ânimo do Benfica viria a durar pouco, isto porque, apenas três minutos depois, André Silva amorteceu um passe na área e Froholdt, o médio que esteve em dúvida para este jogo, apareceu a atirar para o fundo das redes.

O Benfica voltou a deixar cair os braços, tudo corria mal aos encarnados, e o fecho de qualquer discussão do resultado surgiu ao minuto 60′. Hwang Inbeom recebeu nova assistência de André Silva e, de primeira, fez o terceiro golo do FC Porto. O Benfica, que ainda entrou em campo a querer acreditar, ficou de repente a dois golos de distância e sem força moral para equilibrar a partida.

Com o FC Porto a vencer por 3-1, o jogo perdeu história e apenas algumas quezílias iam permitindo alguns momentos diferentes, num jogo em que a qualidade do jogo jogado era agora bem mais baixa. O FC Porto passou a gerir a vantagem, o Benfica tentava remar contra a maré azul e branca mas sem convicção, e a noite acabou com Farioli a poder rodar jogadores fazendo entrar na partida desde o banco o espanhol Samu e o polaco Pietuszweski.


Ficha do jogo

FC Porto 3-1 Benfica
Competição: 7.ª jornada da I Liga
Estádio do Dragão
Assistência: 49.560 espectadores
Ao intervalo: 1-0

Árbitro: Miguel Nogueira
VAR: Luís Ferreira

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Martim Fernandes (Francisco Moura, 69′); Gabri Veiga (In-Beon 38’), Pablo Rosario, Victor Froholdt; William Gomes (Borja Sainz, 69′), André Silva (Samu, 85′) e Pepê (Pietuszweski, 85′)
Técnico: Francesco Farioli

Benfica: Samuel Soares; Alexander Bah, Tomás Araújo, Clément Lenglet, Samuel Dahl (El Karouani, 85′); Aursnes (Leandro Barreiro, 74′), João Palhinha; Rafa (Lukebakio, 74′), Sudakov (Circatti, 38’), Prestianni (Schjelderup, 74′); Pavlidis
Técnico: Marco Silva

Golos:

  • 1-0 Gabri Veiga (31′)
  • 1-1 Bah (51’)
  • 2-1 Froholdt (54’)
  • 3-1 Wang In-Beon (60’)

Ação disciplinar:
Cartão amarelo:
 Gabri Veiga (06′), Lenglet (26’ e 35’), Prestianni (34’), Hwang Inbeom (80′), Borja Sainz (90’+04′), Pietuszweski (90’+04′), Tomás Araújo (90’+04′) e Alexander Bah (90’+04′).
Cartão vermelho: Lenglet (35’)


Arbitragem contornou as coisas
esquisitas em noite de coisas normais

Protagonista mesmo que não o quisesse ser, o árbitro Miguel Nogueira, de quem antes do jogo se disse que poderia integrar mais um episódio de uma série da Netflix, acabou por ter uma noite complicada. Rui Costa, o presidente do Benfica, no final, falou de “dualidade de critérios tremenda”, apontando para faltas portistas não sancionadas e para o amarelo a Prestianni por mostrar a cara cheia de sangue.

Depois de Marco Silva se ter recusado a falar de arbitragem, convidando os dirigentes do clube da águia a fazê-lo, Rui Costa acabou assim por deixar algumas críticas, ainda que de uma forma particularmente “fofinha”. Não contestou a expulsão de Lenglet, deixando claro, até por omissão, que foi esse o momento que virou o jogo a favor dos dragões. Já o técnico Marco Silva, por sua vez, reconheceu quem é que perdeu a partida: “nós é que perdemos o jogo”.

Do lado dos vencedores, Francesco Farioli foi mais direto: “Não aconteceram coisas estranhas esta noite. Por isso, correu tudo bem”. Já em relação às palavras do treinador do Benfica em que este disse não saber até quando é que vai conseguir conviver com a realidade do futebol português, por vir de outro tipo de futebol como é a Premier League, o técnico do FC Porto limitou-se a dizer que não sabe do que fala o seu homólogo do Benfica pois ele, Farioli, nunca treinou na Premier League.

No fim deste clássico, o que do jogo é tão simplesmente isto: o FC Porto continua invicto, ganhou os sete jogos que disputou em sete jornadas e tem agora 21 pontos.

Já o Benfica, que até entrou melhor em duas ocasiões distintas neste jogo, perdeu a oportunidade de se aproximar dos dragões ou pelo menos de manter a distância.

Enquanto isso, o Sporting, que já perdeu pontos em três empates está época, vê a liderança a fugir com o FC Porto a manter um ritmo que, para já, não mostra sinais de abrandar.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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