A 12ª edição do Apps for Good terminou esta quinta-feira no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com a entrega de prémios aos melhores projetos desenvolvidos por alunos do ensino básico, secundário e, pela primeira vez, do ensino superior. O programa educativo promovido pelo CDI Portugal desafiou os estudantes a criar aplicações e soluções tecnológicas para problemas concretos nas áreas da educação, saúde, igualdade de género, sustentabilidade, ação climática, cidades inclusivas, erradicação da pobreza e justiça.
Entre os vencedores do ensino básico, o primeiro prémio foi para a BOOKS4ALL, da Escola Portuguesa de Cabo Verde, uma plataforma sem fins lucrativos que permite a troca de manuais escolares entre escolas de diferentes ilhas do arquipélago, combatendo a escassez destes recursos. O segundo lugar foi ocupado pela TRAVELBUDDY, da Escola Jerónimo Emiliano de Andrade, nos Açores, um guia turístico interativo com realidade aumentada, roteiros personalizados e recomendações de restaurantes e atrações. Em terceiro ficou a PETECH, da Escola Básica de São Lourenço, em Ermesinde, que acompanha tutores e animais em todas as fases da adoção, com inteligência artificial para escolher o animal ideal, calendário de cuidados, rede de voluntários e treino comportamental.


No ensino secundário, o primeiro prémio foi para a ELITE FISHING, da EB1,2,3/S/JI de São Roque do Pico, uma app criada por alunos apaixonados por pesca que conecta turistas, famílias e jovens a experiências de pesca únicas, promovendo o contacto com a natureza, o bem-estar e a solidariedade através da doação de peixe. O segundo lugar distinguiu a PEQUENOS HERÓIS, da Escola Secundária Fernando Namora, na Amadora, um jogo interativo que ensina crianças a reagir a emergências de saúde, como desmaios ou feridas. A BLACK GLOVE, da Escola Secundária de Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, ficou em terceiro, com uma app ligada a uma luva inteligente que traduz linguagem gestual e Braille em tempo real, promovendo a autonomia comunicacional de pessoas surdas, cegas e surdocegas.
Na estreia do ensino superior, o projeto vencedor foi o GROWRIGHT, da Egas Moniz School of Health and Science, que ajuda pais a identificar precocemente sinais de alerta no desenvolvimento orofacial dos filhos, propondo exercícios simples para promover hábitos mais saudáveis e um melhor equilíbrio muscular.


Foram ainda atribuídas distinções especiais. O Prémio Electronics for All distinguiu a ECORAIN, da Escola Secundária de Tondela, no ensino básico, e a ARMIAC, da Escola Secundária de Sacavém, no secundário. A primeira monitoriza e controla remotamente um sistema inteligente de recolha de água pluvial; a segunda torna a robótica acessível através de um braço robótico controlado por voz ou texto, sem necessidade de conhecimentos técnicos.
O Prémio Melhor App em Centros Educativos foi para o Centro Educativo Padre António de Oliveira, com o projeto “Podes ser o que tu quiseres”, que apoia jovens a partir dos 16 anos na saída destes centros, orientando o percurso profissional com informação sobre carta de condução, currículos, cursos e estágios. O Prémio Escola foi atribuído à Escola Básica e Secundária do Cerco, no Porto, pelo destaque na implementação do programa ao longo do ano letivo.
O Prémio Jovem Aluna distinguiu Maria Afonso, do projeto EcoLens, da Escola Secundária Fernando Namora, na Amadora, que quer travar o greenwashing identificando produtos verdadeiramente sustentáveis através da análise de rótulos com termos como “eco” ou “bio”. Já o Prémio do Público foi para a Escola Secundária de Castro Verde, com o projeto Easy Cook, uma app que sugere receitas simples e rápidas com os ingredientes disponíveis em casa, ajudando jovens a cozinhar de forma prática e sem desperdício alimentar.

O evento contou com a presença de James Garnett, presidente do conselho de administração do Apps for Good UK, que sublinhou o impacto do programa na confiança dos jovens. “A coisa mais valiosa que criam não é uma aplicação. Não é um protótipo. É confiança. É a convicção de que a vossa voz importa e de que podem fazer a diferença”, afirmou. Erin Chemery, da UNESCO e membro da Teacher Task Force, destacou o valor de modelos educativos que envolvem ativamente os alunos na identificação de desafios e na construção de respostas concretas. “Não se trata apenas de tecnologia: trata-se de desenvolver confiança, pensamento crítico e a capacidade de participar ativamente na construção das comunidades e do futuro que querem”, referiu. O Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem-Cristo, encerrou o momento institucional e participou na entrega dos prémios.
Esta edição envolveu 188 escolas, 396 professores e 3.816 alunos ao longo do ano letivo, dos quais 46% raparigas. No ensino superior, participaram 9 instituições, 500 alunos e 20 professores, com 93% dos projetos desenvolvidos na área da educação. Ao longo dos seus 12 anos, o Apps for Good já envolveu mais de 35 mil alunos, 1.800 professores e 800 escolas.


João Baracho, diretor-executivo do CDI Portugal, deixou uma nota sobre o que se viu nesta final. “Há uma geração pronta para olhar para os desafios das suas comunidades não como problemas sem solução, mas como oportunidades para criar e agir. Ao longo deste percurso, os alunos desenvolveram aplicações, mas desenvolveram sobretudo confiança, pensamento crítico, capacidade de colaboração e a consciência de que a tecnologia só cumpre verdadeiramente o seu propósito quando está ao serviço das pessoas. É esta passagem de consumidores a criadores que queremos continuar a promover nas próximas edições”, sublinhou.









