A Mercedes-Benz Fashion Week Madrid arrancou esta segunda-feira a sua 41.ª edição com as coleções de Adolfo Domínguez, Pedro del Hierro e Simorra, três casas que abriram a passerelle do Palácio de Cristal com propostas para a primavera/verão de 2027.
Entre a contemplação das flores de cerejeira, a dobra como estrutura e a cor enquanto matéria de estudo, o primeiro dia deixou claro que a moda espanhola continua a procurar caminhos próprios — e que Madrid volta a ser, por uns dias, o ponto de encontro de criadores, profissionais do setor e público.

Pedro del Hierro: o tempo como novo luxo
A coleção de Pedro del Hierro para a próxima primavera chama-se HANAMI e parte de uma tradição japonesa: a contemplação das flores de cerejeira. Mais do que um exercício estético, é uma reflexão sobre a beleza do que dura pouco, sobre o tempo e sobre a desligação digital.
Os diretores criativos Nacho Aguayo e Álex Miralles construíram a coleção a partir de um diálogo entre tradição e modernidade, explorando a forma como os lugares que visitamos deixam marcas na maneira como nos vestimos — e como também nós transformamos aquilo que encontramos. O resultado é uma viagem entre a Ásia e o Ocidente, onde referências de culturas diferentes coexistem sem hierarquias, filtradas por um olhar contemporâneo.




Simorra: a dobra como ponto de partida
A casa de Barcelona coloca o tecido no centro de tudo. Em FOLD IN, a dobra deixa de ser um detalhe para se tornar o eixo conceptual e estrutural da coleção: uma forma de dobrar, envolver e adaptar o tecido que transforma uma superfície plana em volume e gera silhuetas em movimento.
A relação entre corpo, movimento e transformação é explorada através de peças leves e envolventes — calças de perna larga, tops que se enrolam sobre si próprios, saias ajustáveis, volumes fluidos e várias técnicas de plissado. O resultado é uma silhueta de inspiração arquitetónica, mas pensada para quem a vai usar.




Adolfo Domínguez: o que é, afinal, a cor?
A casa galega parte de uma pergunta simples e difícil: o que é a cor, na verdade? Chroma explora essa questão a partir de três perspetivas — científica, material e emocional — entendendo a cor como o resultado da interação entre a luz, o tecido e o olhar de quem vê.
O processo criativo começou com investigação sobre as propriedades físicas da cor e passou por oficinas de tingimento natural, onde a equipa experimentou fibras e pigmentos para perceber como a matéria altera a luz e, com ela, a nossa perceção. Essa pesquisa traduz-se numa coleção em que a cor é também veículo de memória: o caleidoscópio da infância inspira bordados geométricos e patchwork, enquanto objetos do dia a dia facilmente reconhecíveis pela sua cor — um cone de trânsito, um esfregão de cozinha ou uma bola de ténis — servem de referência para as estampas.
O certame prossegue nos próximos dias com mais desfiles e apresentações, consolidando Madrid como uma das paragens obrigatórias do calendário da moda europeia.







