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Sporting tropeça em Famalicão e consente empate nos descontos

Frente ao Famalicão, em jogo da sexta jornada do campeonato da I Liga, o Sporting tinha os três pontos na mão com um golo marcado à beira do final, de penálti, por Luis Suárez, aos 81 minutos e quando o Famalicão já jogava com dez. Tudo apontava por isso para que os leões conseguissem somar os três pontos do triunfo, o que lhes deveria permitir manter a distância para os seus principais rivais, FC Porto e Benfica, quando ambos se preparam para jogar entre na próxima jornada. Ficava a ideia de que os leões iriam conseguir uma vitória sofrida mas justa, só que o futebol tem destas coisas, e um autogolo de Gonçalo Inácio já em tempo de compensação estragou os planos de Rui Borges.

Empate a um golo em Famalicão, num terreno que promete ser difícil para os conjuntos que por ali passarem, e dois pontos que ficam pelo caminho numa altura em que o Sporting não podia perder terreno para os rivais, assim se pode resumir a história de um jogo em que o conjunto visitante só se pode queixar de si mesmo, ainda que tenha a colocar na contabilidade dos erros de arbitragem uma grande penalidade cometida sobre Maxi Araújo, logo as sete minutos, que poderia ter permitido uma história bem diferente neste jogo.

Um jogo fechado com o Sporting a mandar mas sem furar

A primeira parte foi de sentido único, mas não no marcador. O Sporting teve a bola, teve paciência, mas teve pouco engenho. Já do lado do Famalicão de Carlos Carvalhal, este montou um bloco baixo e compacto, e os leões raramente encontraram espaço para criar verdadeiro perigo.

Ainda assim, houve momentos de desiquilíbrio, nomeadamente no lance aos sete minutos quando Maxi Araújo foi carregado à entrada da área do Famalicão num lance em que ficou claro que havia lugar à marcação de uma grande penalidade. Estranhamente, o árbitro Luís Godinho nada assinalou e, porventura ainda mais estranho, é que o VAR Bruno Esteves também nãi chou o seu chefe de equipa a rever o lance no monitor.

Pouco depois, aos 12 minutos, Luís Guilherme apareceu na esquerda e obrigou Carevic a uma defesa apertada. E aos 25, o que poderia ter sido o momento da noite: Flávio Gonçalves finalizou com classe, mas Luís Godinho, após alerta do VAR, anulou o golo por mão na bola do jovem leonino, permitindo um balde água gelada sobre os adeptos leoninos que já festejavam o que parecia ter sido o primeiro golo do jogo.

Perante o esforço do Sporting, nada surgia do lado do Famalicão. Uma ou outra transição, mas sem consequências, e o guarda-redes leonino, Rui Silva, só foi realmente chamado à ação perto do intervalo, num cruzamento fechado que exigiu uma boa intervenção do guardião da turma visitante.

Rui Borges mexe, e parece funcionar

Para o segundo tempo, e com o nulo a prevalecer, ficava claro que era preciso que os técnicos dos dois conjuntos conseguissem ousar e mudar com isso o rumo dos acontecimentos. Foi então que o Sporting apareceu de uma forma mais insistente sobre o meio-campo defensivo do Famalicão, ainda que o jogo prosseguisse amarrado.

Rui Borges, o técnico leonino, percebeu que precisava de mais e lançou Ioannidis e Zalazar por volta da hora de jogo, e a mexida deu frutos. Aos 81 minutos, Ioannidis conquistou um penálti após choque com Bondo dentro da área. Luís Godinho não hesitou, desta vez assinalou mesmo o castigo máximo, e Luis Suárez, o homem dos golos nesta temporada, não perdoou. 1-0 para o Sporting, quinto golo do colombiano no campeonato.

O minuto em que tudo mudou

Pouco depois, o Famalicão ficou reduzido a dez por expulsão direta de Roméo Beney, após falta sobre Maxi Araújo. Tudo indicava que o Sporting iria gerir a vantagem com tranquilidade até ao apito final pois tinha a vantagem no marcador e a superioridade numérica sobre o relvado.

Só que o Famalicão não se deu por vencido e mesmo com menos um jogador, os minhotos foram à procura do empate. Aranda ainda acertou no poste num livre direto, num aviso do que estaria para vir, o Sporting tremeu, mostrou-se incapaz de manter a bola longe da baliza de Rui Silva, e já nos descontos surgiu o balde de água gelada sobre os leões.

Abubakar, que tinha sido chamado por Carlos Carvalhal ao jogo no segundo tempo a partir do banco de suplentes, ganhou um duelo aéreo na área leonina e procurou direccionar a bola para a baliza do Sporting. Curiosamente a bola nem parecia seguir na direção correcta, mas o cabeceamento do avançado acabou por levar a bola a embater em Gonçalo Inácio, com este a trair a sua própria baliza, resultando num autogolo cruel que gelou os leões e fez explodir o estádio em festa para os famalicenses.

O que fica deste jogo

No final da partida, Rui Borges não escondeu a frustração. “Faltou-nos agressividade e intensidade naquele lance”, disse, referindo-se ao momento do golo do Famalicão. “Não podemos desligar um segundo. Fomos penalizados na única vez que fomos mais permissivos”.

Do lado do Famalicão, Carlos Carvalhal admitiu que houve “uma dose de felicidade”, mas sublinhou o esforço dos jogadores. “Correram muito por este ponto”, afirmou o treinador minhoto.

O resultado deixa o Sporting a quatro pontos do FC Porto e a dois do Benfica, numa altura em que os rivais se defrontam na próxima jornada. Já o Famalicão continua sem vencer, mas este empate, pela forma como aconteceu, sabe quase a vitória, permitindo um booster de confiança para este campeonato que ainda agora vai no início. Os leões terão agora que apontar baterias ao jogo da próxima jornada em Alvalade, na recepção ao Arouca, no próximo sábado, o mesmo dia em que o Famalicão terá que jogar no terreno do Nacional da Madeira.

texto: José Andrade
fotos: LusoNotícias (Arquivo)

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