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Haaland bate Diogo Costa na primeira derrota da época para o FC Porto

Foi preciso começar a fase de liga da Liga dos Campeões da UEFA para que o FC Porto soubesse esta época o que é perder um jogo, algo que aconteceu esta terça-feira na recepção aos ingleses do Manchester City, num embate em que a turma britânica venceu por 2-0. Haaland marcou os dois golos, e o City só não venceu por uma diferença mais desnivelada graças às boas defesas do guarda-redes Diogo Costa, ele que impediu um resultado final bem mais pesado negativamente para os dragões.

O jogo começou com o FC Porto a tentar pressionar alto, mas rapidamente ficou claro que a equipa de Farioli, menos ousada e a cumprir uma estratégia de contenção, não teria a mesma liberdade que costuma ter na I Liga. Em contrapartida, o Manchester City, mesmo sem uma exibição brilhante, controlou a primeira parte com facilidade, conseguiu ter uma clara superioridade na posse de bola, e obrigou os portistas a correr atrás do esférico sem conseguirem sair em transição.

O guarda-redes portista Diogo Costa acabou assim por ser o herói improvável da primeira parte. Fez defesas de todos os tipos – com os pés, com as mãos, a desviar remates à queima-roupa – e segurou enquanto pôde a diferença no resultado que poderia ter sido bem mais expressiva. Ao intervalo, quando a equipa de arbitragem foi para o balneário, ouviu-se uma assobiadela monumental no Dragão. Mas quando Diogo Costa apareceu no túnel, os assobios transformaram-se em aplausos e vénias. Tinha acabado de segurar um 0-0 que parecia impossível depois daqueles primeiros 45 minutos.

A marcha do marcador

O que Diogo Costa conseguiu na primeira parte, Haaland desfez em dois minutos. Aos 47, o antigo benfiquista Enzo Fernández, contratado esta época pelo City ao Chelsea, colocou a bola na cabeça do norueguês e este cabeceou para o fundo da baliza, aproveitando que o guarda-redes portista estava em contrapé. Foi um golo de quem não perdoa.

Curiosamente, o 0-1 fez acordar o FC Porto. A equipa subiu no terreno, acertou as marcações e criou algumas oportunidades – Alan Varela e William Gomes tentaram de fora da área, mas sem sucesso. Durante uns minutos, pareceu que o empate podia acontecer. Mas Erling Haaland estava lá e já em tempo de compensação, com o jogo partido e os portistas à procura do golo, o norueguês apareceu de novo na área e encostou para o 2-0 final. Dois toques, dois golos, para um resultado que pecava ainda assim por defeito por tudo aquilo que o Manchester City tinha feito nos primeiro 45 minutos.

A aposta de Farioli

Deixando claro, mesmo sem o admitir, que teve receito pelo valor do adversário, Francesco Farioli, o técnico do FC Porto, determinou que a sua equipa entrasse em campo com uma abordagem mais cautelosa do que aquela que tem mostrado na Liga portuguesa. A equipa assumiu um comportamento mais subserviente, menos ousada e mais preocupada em não sofrer do que em atacar, e o resultado final ficou espelhado na forma como as duas equipas se comportaram em campo. E se este maior receio do técnico italiano até pode ser compreensível, ficou claro que este FC Porto ainda não tem andamento para fazer um jogo inteiro em todo o campo contra equipas deste calibre.

No final, Farioli não escondeu a frustração, mas preferiu exaltar o esforço dos seus atletas, destacando a prestação dos azuis e brancos pela positiva: ”Fizemos uma exibição fantástica. Tivemos as nossas oportunidades, na segunda parte colocámo-los em sérios apuros. Defendemos muito bem, mas não podemos conceder espaço ao melhor avançado do mundo.”

A verdade é que a equipa portista não conseguiu um único remate à baliza de Donnarumma – os cinco remates que fez foram todos para fora, e todos já com o jogo em desvantagem. É a diferença entre competir e ganhar.

Haaland vs. Diogo Costa

Este jogo entre o FC Porto e o Manchester City foi, acima de tudo, um duelo entre dois gigantes. De um lado, Haaland, que terminou com dois golos em sete remates, precisando apenas de oito ou nove toques na bola para decidir o jogo. Do outro, Diogo Costa, que fez oito defesas em dez remates enquadrados dos ingleses.

O norueguês, no final, rendeu-se ao guarda-redes português: “Se anunciassem a lista dos melhores guarda-redes do mundo depois deste jogo, ele estaria lá porque fez um jogo muito bom”. E acrescentou: “O Diogo fez algumas boas defesas, mas eu também fiz algumas boas finalizações.”

Diogo Costa, por seu lado, não escondeu a amargura pela derrota: “Tive algumas defesas, mas o que importa é que estamos revoltados e tristes por não termos ganho”. Sobre a ausência da lista dos melhores guarda-redes do ano, foi direto: “Não sei quem escolhe isso, mas é algo que não me interessa neste momento.”


Ficha de Jogo: FC Porto 0-2 Manchester City

CompetiçãoUEFA Champions League – 1.ª Jornada
Data8 de setembro de 2026
EstádioEstádio do Dragão, Porto
Público49.106 espectadores 
Resultado ao intervaloFC Porto 0 – 0 Manchester United

Onzes Iniciais 

FC PortoMoreirense
Diogo Costa (GR)Donnarumma (GR)
Alberto CostaMatheus Nunes
Nehuén PérezRúben Dias
Jakub KiwiorMarc Guéhi
Martim FernandesGvardiol (Khusanov, 48′)
Pablo RosarioEnzo Fernández
Alan VarelaBouaddi (Kovacic, 76′)
Gabri VeigaPhil Foden (Ati-Nouri, 76′)
William GomesCherki (Ndiaye, 63′)
PepêSemenyo (Anderson, 63′)
André Silva (Santiago Gimenez, 75′)Erling Haaland
Treinador: Francesco FarioliTreinador: Enzo Maresca

Árbitro: Szymon Marciniak (POL)
VAR: Pol van Boekel (NEE)

Ação disciplinar: cartão amarelo para Gvardiol (37’), Donarumma (51′), Pablo Rosário (90’+03′) e Erling Haaland (90’+03′)

Golos…

GoloMinutoAssistênciaJogador
0-147’Enzo FernándezHaaland
0-290’+01’Ati-NouriHaaland

O que fica do regresso dos dragões à Champions

O FC Porto regressou à milionária Champions League dois anos depois e mostrou que ainda há um largo caminho a percorrer para quem procura assentar arraiais de permanência naquela que é a mais importante prova de clubes da UEFA. A equipa azul e branca bateu-se bem, mas ficou claro que há uma diferença abismal na hora de definir. Farioli reconheceu isso mesmo, mas preferiu olhar para o futuro: “Jogámos sem cinco jogadores principais contra uma das melhores equipas do mundo. Fizemos um jogo incrível, infelizmente não conseguimos o resultado que queríamos.”

O Manchester City, por seu lado, soma a primeira vitória nesta nova fase de liga e mostrou que, mesmo sem brilhar, tem sempre um Haaland para resolver. Maresca, o novo treinador dos citizens, pode não ter tido a estreia mais fluida na Champions, mas levou os três pontos para casa.

Para o FC Porto, fica a lição: contra equipas deste nível, não basta defender bem. É preciso ter aquele algo mais na frente e, infelizmente para os portistas, esse algo mais estava do outro lado, vestido de preto e dourado.

texto: Inês Aires
fotos: João Mota

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