O Estádio da Luz foi este sábado palco de um ensaio geral para a grande batalha que se avizinha entre Benfica e Real Madrid. Com a mente já posta no Santiago Bernabéu e na missão de dar a volta ao playoff da Liga dos Campeões frente aos merengues, o Benfica de José Mourinho não facilitou as contas e despachou o lanterna vermelha AFS com um confortável 3-0 ao intervalo, numa tarde em que a gestão de esforço e as notas artísticas se aliaram à eficácia.
Para a 23.ª jornada da I Liga, com o Benfica a estrear uma nova camisola em homenagem ao futebol de rua, desenhada pelo pintor, grafiter e artista urbano Alexandre Farto, conhecido no mundo das artes como Vihls, a equipa encarnados entrou em campo com algumas novidades bem pra além do equipamento. Mourinho, o técnico dos encarnados, mexeu no onze e apostou em duas novidades nos corredores laterais que vieram a revelar-se acertadas.











Bah e José Neto deram
descanso a Dedic e Dahl
Na direita, Alexander Bah fez mais do que o esperado no seu regresso à competição mais de um ano depois de uma grave lesão. O dinamarquês não só cumpriu defensivamente como inaugurou o marcador aos 11 minutos, aproveitando uma recarga a remate de Pavlidis para mostrar que a travessia no deserto ficou, de uma vez por todas, para trás. Do lado oposto, o jovem José Neto, de apenas 17 anos, estreou-se a titular e deu boa conta do recado, mostrando personalidade e entendendo-se na perfeição com a dinâmica ofensiva de Schjelderup pelo corredor canhoto.
O domínio encarnado conseguiu assim ser esmagador nos primeiros 45 minutos. A equipa pressionou alto, circulou a bola com rapidez e não deu hipóteses a um AFS demasiado passivo. Aos 30 minutos, Enzo Barrenechea ampliou a vantagem com um remate de pé esquerdo na área, na sequência de um canto. Até ao intervalo, o destaque foi todo para a magia individual.












Rafa marcou golo
de letra grande
Se Pavlidis, o homem mais adiantado, foi uma sombra para a defesa contrária e esteve perto do golo por diversas vezes sem nunca o conseguir concretizar, a verdade é que a sua movimentação abriu espaços para os companheiros. E foi num desses lances, já aos 43 minutos, que surgiu o momento de inspiração que valeu o ingresso.
Depois de um cruzamento de Sidny Cabral, a bola sobrou para Rafa na pequena área e este, com a frieza de quem joga na rua e a técnica de quem já vestiu a águia ao peito em outras eras, não pensou duas vezes: aplicou um sublime golo de letra, um toque de trivela que fez a bola ultrapassar Adriel e descrever a parábola perfeita para o fundo das redes. Foi o regresso de Rafa aos golos com a camisola do Benfica, e que regresso.











Construída uma vantagem tranquila no primeiro tempo, a segunda parte foi um exercício de gestão para a equipa do Benfica. Com três golos já marcados e a viagem a Madrid no horizonte, Mourinho fez descansar Otamendi ao intervalo e foi gerindo o esforço de outros titulares. Ao longo do jogo fez entrar Ivanovis e Lukebakio primeiro, e ainda Anísio e Diogo Prioste, fazendo descansar Bah e Schjelderup, e mais tarde Pavlidis e Rafa Silva.
De uma forma natural, o ritmo da partida diminuiu, o AFS nunca deu sinais de vida, e o Benfica limitou-se a controlar a posse de bola, ainda assim criando situações para dilatar o marcador, como o célebre remate de Sidny Cabral ao poste aos 67 minutos.











Árbitro Miguel Fonseca
deixou um penálti por assinalar
Pelo meio ficou ainda uma grande penalidade clara que ficou por assinalar ao minuto 67′ favorável ao Benfica, num lance em que Sidny rematou à baliza com a bola a bater na mão de Rivas num momento em que o homem do AFS tinha o braço afastado do corpo e, também por isso, não ficaram dúvidas quanto à existência de justificação para a grande penalidade. Curiosamente, o VAR analisou o lance e considerou que o braço estava em posição natural, deixando espaço aberto para mais uma discussão sobre a completa inexistência de uniformidade de critérios entre os árbitros relativamente a este tipo de lances.
Ao apito final, ficou a certeza de que o Benfica fez o que tinha a fazer na Luz. Conquistou mais três pontos, manteve a pressão sobre os seus rivais diretos, e pode desde já mudar o chip, consciente de que todos os pensamentos voam agora para quarta-feira e para o desafio de trazer uma vitória do terreno do Real Madrid na bagagem.










Com exibições sólidas, laterais renascidos e um Rafa a lembrar-se que tem classe para desequilibrar, há motivos para acreditar entre o grupo de trabalho de José Mourinho, ainda que se saiba que a pressão psicológica é enorme depois de tudo o que se passou envolvendo o brasileiro do Real Madrid Vini Jr. e o argentino do Benfica Prestianni. Sobre isso, porém, muita água terá ainda que passar debaixo das pontes e o que se quer agora é bom futebol dentro das quatro linhas.









