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Torreense vende cara a derrota na segunda ronda da Liga Europa

O Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, foi o palco para o embate do Torreense, clube da II Liga do futebol português, e o Sunderland, equipa da Premier League, em partida referente à segunda jornada da fase de liga da Liga Europa, da UEFA. O Torreense, que venceu o primeiro jogo desta competição, acabou agora por ceder na luta pelos três pontos, frente a um adversário de outra capacidade e outro nível que o conjunto de torres Vedras naturalmente não possui, mas a verdade é que a turma da II Liga agigantou-se e, que nem David, bateu o pé ao Golias da Premier League, tendo mesmo estado a vencer com um golo de grande qualidade apontado ainda no primeiro tempo por Volnei Feltes.

Na verdade, houve um momento, em Leiria, em que pareceu que o futebol ia permitir uma daquelas histórias que se contam durante anos. O Torreense, equipa da II Liga, esgeve a vencer o Sunderland, um clube da Premier League com um orçamento que dá para pagar o salário de um jogador durante dois anos do plantel português inteiro. E não foi um golo qualquer. Volnei Feltes arrancou do seu próprio meio-campo, driblou o que tinha pela frente e disparou de fora da área para o fundo das redes. Um golo que, por si só, justificava a noite.

Organização quase superou
os milhões cotados em libras

Luís Tralhão, o técnico da turma lusa, montou o jogo com a inteligência de quem sabe que não pode competir com os recursos do adversário, mas pode competir com organização. A equipa baixou linhas, fechou os corredores centrais e deixou o Sunderland girar a bola de um lado para o outro sem encontrar espaços. O guarda-redes Lucas Paes foi decisivo, com uma defesa de alto nível logo no início da segunda parte, e durante quase uma hora a equipa de Torres Vedras aguentou. Não foi sorte. Foi um plano bem executado por jogadores que acreditaram nele.

O Sunderland só mudou verdadeiramente o jogo quando Régis Le Bris lançou os pesos pesados, nomeadamente Xhaka, Mukiele e Reinildo. Aliás, acabaria por ser Mukiele quem transformou a partida, ao cruzar para o cabeceamento de Ahoka que empatou aos 67 minutos. A partir daí, foi um cerco. O Torreense resistiu, Paes continuou a segurar, e o empate parecia um resultado justo para o que se tinha visto. Até que, aos 90+3, Sadiki recebeu dentro da área e rematou de primeira para o golo da vitória do Sunderland.

É difícil não sentir que o Torreense merecia mais. Não pelo jogo em si — o Sunderland foi claramente superior na segunda parte e criou oportunidades suficientes para ganhar — mas pelo que esta equipa está a fazer nesta Liga Europa. Venceu na Noruega na primeira jornada, lutou de igual para igual com um clube inglês durante 90 minutos, e saiu de Leiria com zero pontos quando esteve a poucos segundos de somar um. Sadiki, o próprio marcador do golo da vitória, reconheceu depois do jogo que o Torreense “jogou muito bem” e que não é preciso ter medo das equipas grandes.

Tralhão, que na ficha do jogo nem aparecia como treinador principal por questões burocráticas , tem construído algo notável em Torres Vedras. A Taça de Portugal ganha na época passada frente ao Sporting não foi um acidente. Esta equipa sabe sofrer, sabe defender e, quando pode, sabe ferir. Contra o Sunderland, faltaram-lhe apenas três minutos. E, convenhamos, três minutos é muito pouco para separar um clube que recebe 500 mil euros em direitos televisivos de outro que movimenta 200 milhões.

O Torreense perdeu, é verdade. Mas saiu de Leiria com a cabeça levantada e com a certeza de que, nesta competição, ninguém vai entrar em campo a pensar que já ganhou antes de o árbitro apitar.

texto: Jorge Reis
fotos: Carlos Rodrigues

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