O Casa Pia até marcou primeiro, de grande penalidade, mas o FC Porto igualou antes do intervalo e acabou a vencer de forma convicta por 1-4. O Casa Pia continua à procura do primeiro ponto na I Liga e, depois de 90 minutos em Rio Maior frente ao campeão nacional, o que fica é a sensação de que fez o suficiente para sair deste jogo com algo assente na vontade que demonstrou.
Só que o querer nem sempre é suficiente e num jogo em que o adversário foi o FC Porto, este não perdoou, mantendo o percurso vencedor que tem vindo a trilhar no presente campeonato da I Liga. Venceu por 4-1, mantém o pleno de vitórias na prova e chegou ao intervalo com um empate que já sabia a pouco para quem tinha estado por cima durante meia hora.
Filipe Coelho, o técnico do Casa Pia, apostou num bloco baixo, compacto, a fechar os corredores interiores e a obrigar os dragões a jogar por fora. E a verdade é que durante os primeiros vinte minutos a estratégia dos gansos funcionou. O Casa Pia não só defendeu bem como criou as melhores ocasiões. Henrique Araújo aparecia nas costas dos centrais, Pauwels explorava a direita e o FC Porto, sem Froholdt, parecia sem ideias para furar aquela teia.

O golo para a equipa da casa acabou assim por chegar, aos 43 minutos, marcado por Henrique Araújo na conversão de uma grande penalidade contestada pelos portistas. Foi o primeiro golo dos gansos nesta temporada, e a vantagem era merecida. O problema foi o que veio depois. Ainda antes do intervalo, André Silva empatou na sequência de um canto, um daqueles lances em que a organização defensiva se perde por um segundo e o avançado não perdoa. O Casa Pia foi para o balneário com a sensação de missão cumprida quando, na verdade, tinha acabado de entregar o jogo ao adversário.
Os cantos e o penálti
A segunda parte foi outra história. O FC Porto subiu a pressão, acelerou a circulação e o Casa Pia, que até tinha conseguido controlar o ritmo, começou a ceder. O segundo golo nasceu de novo num lance de bola parada com Kiwior, ao segundo poste, a aparecer solto para cabecear. Pouco depois, Borja Sainz ampliou após mais uma jogada de insistência junto à área. Dois golos de canto, um de penálti (já nos descontos, por Santiago Giménez) e outro de execução individual. Para quem tanto trabalhou durante a semana, o Casa Pia viu o jogo fugir-lhe por lances que devia conseguir defender melhor.

O 4-1 final acaba por ser pesado para os gansos, nomeadamente por tudo aquilo que se passou em campo. O Casa Pia fez 17 remates, cinco deles enquadrados, e o guarda-redes Diogo Costa não fez uma única defesa durante os 90 minutos. O problema é que, dos cinco remates enquadrados, quatro foram para fora ou para o corpo dos defesas, ficando claro que a falta de eficácia continua a ser o grande problema da turma do Casa Pia.
Ficha de Jogo: Casa Pia 1-4 FC Porto
| Competição | Liga I – 6.ª Jornada |
| Data | 12 de setembro de 2026 |
| Estádio | Estádio Municipal de Rio Maior |
| Público | 4.110 espectadores |
| Resultado ao intervalo | Casa Pia 1 – 1 FC Porto |
Onzes Iniciais
| Casa Pia | FC Porto |
|---|---|
| Mandic (GR) | Diogo Costa (GR) |
| Geraldes | Alberto Costa (Martim Fernandes, 80′) |
| Khaly | Bednarek |
| David Sousa | Kiwior |
| Rosas | Francisco Moura |
| Ofori | Pablo Rosario |
| Clua | In-Beom |
| Salah (João Pedro, 74′) | Gabri Veiga (Fofana, 80′) |
| João Rego (Zouin, 88′) | William Gomes |
| Pauwels (Maurin, 67′) | André Silva |
| Henrique Araújo (Cassiano, 74′) | Pepê |
| Treinador: Filipe Coelho | Treinador: Francesco Farioli |
Árbitro: José Bessa
VAR: Rui Costa
Ação disciplinar: cartão amarelo para Kiwior (45′), André Geraldes (53′), Khali (53′), David Sousa (87′) e Mandic (90’)
Golos…
| Golo | Minuto | Assistência | Jogador |
|---|---|---|---|
| 1-0 | 43′ | — | Henrique Araújo (P) |
| 1-1 | 45’+03′ | — | André Silva |
| 1-2 | 60’ | Gabri Veiga | Kiwior |
| 1-3 | 66′ | — | Borja Sainz |
| 1-4 | 90′+01′ | — | Santiago Giménez (P) |


A arbitragem e o recado de Farioli
No final, Francesco Farioli não escondeu o que pensava. Sem atacar diretamente o árbitro, deixou claro que o jogo foi condicionado: “Num dia e num campo sempre difícil, especialmente quando muitas coisas estranhas acontecem. As imagens estão lá, é claro, não há muito mais a comentar.”
A frase, dita com um sorriso contido, é uma crítica velada às decisões da equipa de arbitragem, liderada por José Bessa. Farioli referia-se sobretudo ao período antes do golo do Casa Pia, quando o FC Porto viu quatro ou cinco cantos consecutivos e um deles, segundo o próprio, daria penálti para os dragões. A partir daí, o tom do treinador italiano sugere que sentiu o jogo a ser gerido de forma estranha, sobretudo na primeira parte.
A verdade é que o Casa Pia teve o mérito de incomodar um FC Porto que, mesmo sem estar no seu melhor, acabou por resolver o jogo com a arma que mais trabalha: a bola parada. Farioli admitiu isso mesmo: “É um elemento. Deu-nos a oportunidade de voltar ao jogo.” Não é a primeira vez que o FC Porto resolve um jogo assim esta época, e não será a última.

Para o Casa Pia, fica a amargura de mais uma derrota e a certeza de que, se continuar a jogar assim, os pontos vão acabar por aparecer. Já para o FC Porto, fica a liderança isolada, com 18 pontos, e a confiança de que mesmo em dias menos inspirados, a equipa encontra forma de ganhar.









