Com uma vitória categórica em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, no jogo da quarta jornada do campeonato da I Liga, por 4-0, o Sporting mostrou estar a ultrapassar cada vez com maior eficácia as dores de crescimento do novo grupo de trabalho. Alguns novos elementos, como o miúdo Flávio Gonçalves ou o espanhol Altimira, voltaram a ser determinantes, mas também caras bem conhecidas, como Geny Catamo ou o colombiano Luis Suárez, este apontando dois golos, deixaram a sua marca no jogo em que o Sporting surgiu bem mais eficaz e convincente.
Quanto ao colombiano, reforçando a sua condição de titular no grupo de trabalho de Rui Borges, mostrou que quer ficar, ou pelo menos que irá enfrentear essa situação com maior tranquilidade se não surgirem saídas plausíveis, fazendo-o com dois golos na goleada do Sporting em Vila do Conde. Para além disso, frente a um Rio Ave que só no segundo tempo acertou as marcações, o conjunto leonino justificou a conquista dos três pontos, fazendo-o fora de casa, no terreno de um adversário tido sempre como complicado para os ‘grandes’.










À partida para este jogo, o Sporting entrava em Vila do Conde com uma missão clara: calar os críticos e dar seguimento à recuperação no campeonato, depois da entrada a passo no Estrela da Amadora. E se o resultado foi uma goleada categórica por 4-0, a imagem que fica é a de um leão a rugir com mais fome do que nos jogos anteriores. A primeira parte foi um vendaval, e os quatro golos que decidiram o jogo saíram todos antes do intervalo.
O regresso do ‘Cafetero’
O grande protagonista da noite foi Luis Suárez, titular pelo segundo jogo consecutivo — algo que já não acontecia há algum tempo. Depois de ter relegado Fotis Ioannidis para o banco (o grego ainda entrou na segunda parte), o colombiano respondeu em campo, apontando dois dos golos da equipa. Mais do que os números, o que se viu foi uma atitude diferente, mais integrada, mais de acordo com o que se espera de um jogador do Sporting. Sem reclamações, sem gestos de desagrado, apenas trabalho e eficácia.







Rui Borges tinha avisado na antevisão que o mercado mexe com os jogadores, mas que isso não era desculpa para baixar o rendimento. E tanto o ‘cafetero’ Luis Suárez como Geny Catamo, outro nome apontado a uma possível saída, deram a resposta que o treinador procurava. O técnico leonino, aliás, fez questão de travar a euforia no final: “Este jogo não significa que está tudo bem. Nem antes estava tudo mal, nem agora está tudo bem”. Uma forma de lembrar que há muito caminho a percorrer, mas que a equipa está no bom caminho.
A aposta de Rui Borges no onze inicial trouxe ainda o regresso de Gonçalo Inácio à titularidade, numa dupla de centrais com Debast que o treinador justificou como uma forma de ter “dois centrais acima da média a tomar decisões”, capazes de quebrar a pressão alta do Rio Ave. Do outro lado, Sotiris Sylaidopoulos montou a sua equipa para explorar as transições rápidas, com quatro homens na frente, mas a estratégia não resultou. O Sporting anulou esse trunfo com competência, controlando as primeiras e segundas bolas e não deixando o adversário acreditar que podia criar perigo.
Sendo certo que o Rio Ave até entrou em campo criando alguma pressão junto da baliza de Rui Silva, dando a ideia de que poderia ir em busca de alguma intranquilidade entre os homens que viajaram de Alvalade até ao Estádio dos Arcos, rapidamente estes assumiram o controlo do jogo, fazendo funcionar o marcador e impedindo qualquer veleidade aos vilacondenses. Para se ter uma ideia, depois de um primeiro remate à baliza leonina no minuto inicial da partida, o Rio Ave chegou ao intervalo a perder por quatro golos e sem ter conseguido qualquer remate enquadrado com os postes à guarda de Rui Silva.






Ficha de Jogo:
Rio Ave 0-4 Sporting
Local: Estádio dos Arcos, Vila do Conde
Ao intervalo: 0-4
As equipas:
Rio Ave: Ennio van der Gouw; Liavas, Petrasso, Gustavo Mancha, Vrousai (Miguel Patrício, 86′); Ntoi, Nikitscher (Galcik, 76′); Spikic (Antoine Wenck, 76′), Blesa (Caique, 86′), Bezerra (Sellouki, 66′); Tamble
Treinador: Sotiris Sylaidopoulos
Sporting: Rui Silva; Fresneda, Debast, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Altimira, Doumbia (Ioannidis, 65′); Geny Catamo (Andersen, 65′), Zalazar (Irankunda, 81′), Flávio Gonçalves (Luís Guilherme, 65′); Luis Suárez (Jerry, 86′)
Treinador: Rui Borges
Golos:
- 0-1 Flávio Gonçalves (05′)
- 0-2 Geny Catamo (20′)
- 0-3 Luis Suárez (26′)
- 0-4 Luis Suárez (37′)
Árbitro: Bruno Costa
VAR: Rui Soares
Ação disciplinar: cartões amarelos para Luis Suárez (52′) e Nikitscher (60′)






No capítulo das exibições individuais os destaques vão assim de forma compreensiva, para os homens da turma visitante, entre os quais, e para além de Suárez, também Geny Catamo esteve em evidência. Foi dele o segundo golo, com um remate certeiro, mostrando a qualidade que possui e a capacidade de ser determinante a partir do corredor direito.
Já a dupla formada por Issa Doumbia e Sergi Altimira no meio-campo deu equilíbrio, e Flávio Gonçalves, outro dos elementos que se afirma como um valor no plantel leonino, apesar de ter falhado alguns passes — algo que rendeu uma piada do treinador sobre “pagar cem euros por cada passe falhado” —, mostrou qualidade acima da média.
Foi um aviso. Quando faltam poucos dias para o fecho do mercado o Sporting pode não ter a equipa fechada, pode continuar com “dores de crescimento”, como admite Rui Borges, mas quando a engrenagem funciona, funciona bem. E Suárez, pelo menos por agora, mostrou que quer fazer parte dela.















