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Sporting começa campeonato com tropeção na Amadora

A formação do Sporting às ordens de Rui Borges desperdiçou uma vantagem de dois golos no Estádio José Gomes, na Reboleira, num jogo que expôs fragilidades e acendeu o alerta junto do vice-campeão nacional logo na primeira jornada. Somar um primeiro empate na I Liga com o Estrela da Amadora, depois de estar a vencer por 2-0, será sempre algo difícil de explicar por um “grande”, e mais ainda se tivermos em conta que estamos no início do campeonato e o Sporting vinha de uma pré-temporada bem conseguida, com bons resultados e melhores exibições, a deixar bons indicativos quanto às capacidades deste leão de Rui Borges.

Depois de ter concluído a última temporada com uma derrota frente ao Torreense na final da Taça de Portugal, o Sporting precisa de mostrar que volta a estar sobre os trilhos dos bons resultados que procura, pretensão a que este empate não responde minimamente.

Do lado do Estrela da Amadora, a orientação técnica de Pepa mostrou bons resultados, ficando a garantia de que haverá este treinador poderá manter a qualidade na turma tricolor que nos habituou nas equipas por onde passou já no futebol português. Apresentou uma formação trabalhadora, consciente das duas limitações, mas com vontade e capacidade de se entregar à luta até ao fim, mesmo depois de se encontrar a perder por 0-2.

“Não podemos confundir respeito
com receio” – O aviso de Pepa

O Estádio José Gomes não é, historicamente, um local fácil para o Sporting. Ainda assim, a confiança dos leões era alta, fruto de uma pré-temporada consistente. Do outro lado, Pepa deixara o aviso na antevisão: “Não podemos confundir respeito com receio” . E a verdade é que o Estrela entrou em campo com essa exata postura, transformando a Reboleira numa fortaleza, como o treinador havia prometido.

O jogo começou com um equilíbrio que não se refletiu no resultado ao intervalo. O Sporting, com as novidades impostas no seu onze por Rui Borges – com Rodrigo Dias a ocupar o lado esquerdo da defesa  –, procurava o controlo, mas esbarrava na organização defensiva do Estrela. O momento mais polémico da primeira parte aconteceu mesmo no último lance, com um golo quanto a nós anulado a Eddy Doué.

A jogada gerou enorme discussão: Doué ganhou a posição a Gonçalo Inácio, isolou-se e bateu Rui Silva, mas o árbitro João Gonçalves assinalou falta sobre o capitão sportinguista. Só que as imagens deixaram dúvidas sobre a intensidade do contacto, e ficou mesmo a percepção de que Gonçalo Inácio simplesmente tropeçou em si mesmo, levantando questões sobre a validade do golo. O certo é que o golo de Doué foi anulado e o jogo foi “a zeros” para o intervalo, ainda que o lance tivesse aparentemente ficado na mente do árbitro e aplicado mais tarde como “compensação” na análise do lance que daria origem ao primeiro golo dos tricolores.

A explosão ofensiva
e a anestesia táctica

A segunda parte começou da melhor forma para o Sporting. Num flash, a equipa de Rui Borges resolveu o jogo. Rodrigo Zalazar, que esteve em evidência durante toda a partida, inaugurou o marcador com um remate forte, confirmando as boas impressões deixadas na pré-época. Minutos depois, o mesmo Zalazar serviu Fotis Ioannidis para o 2-0. A vantagem dos leões parecia por esta altura confortável e a vitória encaminhada.

Foi aqui que Rui Borges mexeu na equipa. As substituições, no entanto, tiveram um efeito contrário ao desejado, dando a sensação de que anestesiaram o Sporting. Ioanidis, que tinha marcado o segundo golo leonino, deu o seu lugar a Luis Suarez, enquanto que o jovem Flávio Gonçalves, que estava a ser uma peça particularmente válida na engrenagem do meio-campo, saiu para a entrada de Andersen, acabando estas mudanças por resultar numa apatia pouco compreensível.

A equipa do Sporting perdeu a intensidade e o controlo do meio-campo, enquanto o Estrela, com as entradas de jogadores mais ofensivos ordenadas por Pepa — entraram Robinho, Jeferson Encada e Benito, ganhou espaço e fôlego para ir atrás do prejuízo. O que parecia até ali um passeio para a equipa que viera de Alvalade até à Reboleira transformou-se num suplício.

Falhas individuais leoninas
e uma “compensação” do Árbitro

Acabou assim por aparecer finalmente sobre o mau relvado da Reboleira uma muito melhor equipa do Estrela, mais determinada e confiante, a conseguir justamente reentrar no jogo com um primeiro golo apontado por Antonetti, que tirou partido de uma distração grave de Eduardo Quaresma. O defesa-central, ao desinteressar-se da jogada por entender que tinha sido puxado, permitiu que o adversário finalizasse com sucesso. Num lance em que seria até compreensível a invalidação do golo, a verdade é que a mão de Antonetti sobre o ombro de Quaresma não impediu este de se manter no lance pelo que o árbitro deixou seguir, ainda que porventura como uma compensação pelo golo (mal) anulado ao Estrela da Amadora na primeira parte.

Os tricolores reentravam assim no jogo, ainda com cerca de 20 minutos para fazer algo mais, perante um Sporting em que os seus jogadores olhavam uns para os outros sem resposta para o que se estava a passar. Do outro lado aparecia uma formação tricolor com um pulmão novo, em rápidas transições, perante um meio campo que deixou de segurar a bola e uma defesa intranquila.

O empate acabou assim por chegar, ainda que da forma mais inesperada. Rui Silva, que havia feito uma defesa crucial para evitar a derrota nos instantes finais, ofereceu um presente ao adversário num lance banal, ao responder, mal, a um remate de Benito a partir do lado esquerdo. O guarda-redes tocou na bola, mas sem força suficiente para a lançar para longe nem tão pouco para a fazer seguir por cima da trave, acabando o esférico por descrever um arco que terminou já para lá da linha de golo. Um jogador do sporting ainda tentou tirar a bola para longe, mas o o empate estava mesmo feito, com um frango de Rui Silva que consentiu o 2-2 final.

A noite terminou assim de uma forma negativa para os leões, num jogo em que pouca coisa correu bem no segundo tempo, inclusivamente a entrada do colombiano Luis Suárez. O avançado entrou completamente fora do jogo, a “barafustar” com todos, vendo um cartão amarelo logo no primeiro lance em que participou e obrigando mesmo o árbitro a chamar Gonçalo Inácio para acalmar o jogador, sob pena de este ver o segundo amarelo.

A atitude profilática do árbitro João Gonçalves, a tentar gerir o jogador em vez de o expulsar imediatamente, foi notória, e pode até ser apontada como um exemplo para a época, mas a verdade é que deixou um sabor amargo nos adeptos do Estrela, sendo necessário agora esperar pelos próximos jogos da I Liga pasa percebermos se esta política é para prosseguir ou se foram simplesmente perdoados os excessos ao colombiano.


Ficha de Jogo

Campeonato: I Liga – 1.ª Jornada
Data: 8 de agosto de 2026
Local: Estádio José Gomes, Reboleira, Amadora
Resultado: Estrela da Amadora 2-2 Sporting CP

Equipa do Estrela da Amadora (onze inicial): Léo Linck; Max Scholze (Encada, 75′), Luan Patrick, Bernardo Schappo, Rafa Soares; Eddy Doué, Santiago Serra (Robinho, 65′), Lovro Zvonarek; Abraham Marcus (Alisson Souza, 90′), Antonetti (van Hooijdonk, 90′), Ianis Stoica (Benito, 75′).
Treinador: Pepa

Equipa do Sporting (onze inicial): Rui Silva; Georgios Vagiannidis (Fresneda, 79′), Gonçalo Inácio (cap.), Eduardo Quaresma, Rodrigo Dias; Sergi Altimira, Issa Doumbia (Derry, 82′), Geny Catamo (Luis Guilherme, 79′), Rodrigo Zalazar, Flávio Gonçalves (Andersen, 61′); Fotis Ioannidis (Luis Suáres, 65′).
Treinador: Rui Borges

Golos:
Zalazar (48’), Ioannidis (53’) para o Sporting;
Antonetti (68’), Benito (84’) para o Estrela da Amadora.

Cartões amarelos: Luis Suárez (67′), Benito (90’+02′) e Derry (90’+02′)

Árbitro: João Gonçalves (AF Porto).


Um ponto que sabe a pouco

O Sporting deixou assim escapar dois pontos na Reboleira que pareciam garantidos, num jogo que serviu para mostrar que a consistência da pré-época se desvaneceu com as más opções tácticas e os erros individuais. Rui Borges terá trabalho para corrigir o que correu mal na Reboleira. Do lado do Estrela, o empate é um triunfo moral que atesta a personalidade da equipa de Pepa, que nunca desistiu de um jogo que a determinada altura parecia estar perdido.

A arbitragem de João Gonçalves, com a decisão polémica do golo anulado e a gestão do caso Luis Suárez, promete dar que falar e deixa um primeiro grande tópico para análise sobre os critérios dos homens do apita para os jogos desta temporada que agora começa.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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