21_08_2026 Estoril 0-2 Rio ave 1530

Rio Ave (con)vence e garante três pontos em casa do Estoril

Há jogos que se explicam mais pela eficácia do que pela posse de bola e este embate entre o Estoril Praia e o Rio Ave foi uma dessas partidas, concluída com a vitória do conjunto visitante por 0-2 final num resultado que se ajusta à assertividade que o conjunto de Vila do Conde evidenciou. O que se viu na Amoreira, neste sábado, foi assim um jogo entre um Rio Ave prático, quase cirúrgico, e um Estoril que até teve mais bola, mais remates, mas que continua a penar para encontrar o caminho da vitória nesta edição da I Liga.

O 0-2 final diz muito sobre a diferença de eficácia entre as duas equipas. O Estoril, de Vasco Matos, começou até melhor, com o trio ofensivo Guitane, João Carvalho e Begraoui a tentar criar desequilíbrios. Aos 8 minutos, já tinham dado o primeiro sinal de perigo.

Mas o futebol tem destas coisas: o primeiro remate a sério do Rio Ave, aos 15 minutos, deu golo. Bezerra, com espaço que Guitane não conseguiu fechar, cruzou para o cabeceamento subtil de Blesa, que saltou entre a defesa canarinha para inaugurar o marcador.

A partir daí, o jogo teve uma toada previsível. O Estoril procurou o empate com mais posse de bola, mas os vilacondenses, muito bem organizados defensivamente, fecharam os espaços e esperaram pelo momento certo para matar o jogo. Vasco Matos, visivelmente frustrado no final, apontou o dedo à eficácia — ou à falta dela —, lembrando que a sua equipa fez 18 remates contra apenas três do adversário.

Na segunda parte, a história não mudou muito. O Estoril continuou a empurrar, mas esbarrou na muralha que foi Ennio van der Gouw, o guarda-redes do Rio Ave, que fez uma defesa decisiva aos 60 minutos, e no ferro, que ainda negou o golo a Begraoui já aos 89′. O Rio Ave, por seu lado, foi letal. Depois de um golo anulado a Blesa por fora-de-jogo por centímetros, o hispano-americano vestiu-se de carteiro e, aos 72 minutos, cruzou com medida milimétrica para Tamble Monteiro que, livre de marcação, só teve de encostar de cabeça para o 0-2.

A figura e a estratégia

Olhando para as prestações individuais, Jalen Blesa, na formação do Rio Ave, foi, sem surpresa, o homem do jogo. Marcou o primeiro, assistiu para o segundo e, como se não bastasse, ainda viu o bis ser-lhe anulado por muito pouco. Este avançado espanhol, aliás, está a mostrar que a boa segunda metade da temporada passada não foi um acaso, e promete ser uma das armas ofensivas do Rio Ave, surgindo assim como a escolha óbvia para o destaque individual, não apenas pelos números, mas pela forma como soube jogar entre linhas e decidir o destino da partida.

Do lado do Estoril, Rafik Guitane foi o único que criou algum perigo com mais regularidade para as redes da baliza dos de Vila do Conde, sobretudo no primeiro tempo, mas pecou exactamente no lance do primeiro golo, ao dar demasiado espaço a Bezerra para o cruzamento. João Carvalho e Begraoui também tiveram os seus momentos, mas sem a necessária contundência para furar o sistema defensivo do Rio Ave.


Ficha de Jogo

  • Estádio: Estádio António Coimbra da Mota, Amoreira
  • Data: 22 de agosto de 2026
  • Público: 1.852 espectadores 
  • Resultado: Estoril 0-2 Rio Ave
  • Estoril Praia: Joel Robles; Ricard Sánchez, Ismael Sierra, Ferro, Fernando Medrano (Tiago Parente 69′); Antef Tsoungui (Jordan Arnolin 76′), Tiago Brito (Fabricio Garcia 69′); Rafik Guitane (Peixinho 76′), João Carvalho, André Lacximicant; Yanis Begraoui
  • Onze do Rio Ave: Ennio van der Gouw; Georgios Liavas, Francisco Petrasso, Gustavo Mancha (Julien Lomboto, 86′) e Nelson Abbey (Marius Vrousai, 78′); Diogo Nascimento, Tamás Nikitscher; Diogo Bezerra, Jalen Blesa, Roland Galcík (Andreas Ntoi, 54′); Tamble Monteiro (Dario Spikic 86′)
  • Árbitro: Carlos Macedo
  • Ação Disciplinar: nada a assinalar 
  • Golos: Jalen Blesa (15′), Tamble Monteiro (72′)

Em termos de estratégia, o jogo foi um duelo de abordagens contrastantes. Vasco Matos apostou na posse e no ataque, com uma equipa mais ofensiva, mas a falta de “agressividade no último terço”, como ele próprio admitiu, condenou o Estoril. Do outro lado, Sotiris Silaidopoulos montou uma equipa madura, que soube sofrer sem bola e aproveitar as transições rápidas para construir a vantagem. O treinador grego até admitiu que a exibição não foi a melhor, mas elogiou o carácter e a “forte mentalidade defensiva” dos seus jogadores, com destaque para Diogo Nascimento, que descreveu como “muito inteligente” e decisivo na organização da equipa.

No final, o Rio Ave vence (e convence) com justiça, soma os primeiros três pontos e deixa o Estoril no fundo da tabela, a pensar no que precisa mudar para arrepiar caminho neste campeonato que agora saiu para o adro de uma longa procissão.

fotos: Luís Moreira Duarte / LusoNotícias

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