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Eclipse solar de 2026: Só voltaremos a ver um em 2144

Foi por breves instantes, mas valeu a espera de mais de um século. Portugal foi esta quarta-feira palco de um dos fenómenos astronómicos mais marcantes dos últimos tempos: o primeiro eclipse solar total visível em território nacional desde 1912. Um evento raro que, segundo os especialistas, só se repetirá por estas bandas daqui a 118 anos, em 2144.

O grande momento aconteceu ao final da tarde, com o fenómeno a ter início por volta das 18h30 e o seu pico máximo a ocorrer perto das 19h30. Durante cerca de 26 segundos, a Lua cobriu por completo o disco solar numa estreita faixa do Parque Natural de Montesinho, em Bragança. Foi ali, em localidades como Guadramil e Rio de Onor, que a totalidade pôde ser observada, revelando a impressionante Coroa Solar e o breve efeito do “Anel de Diamante”. Para o resto do país, o eclipse foi parcial, mas com uma ocultação impressionante: acima dos 95% em Lisboa e a chegar aos 99% no Porto e em Braga.

A expectativa para este dia era tão grande que a corrida começou meses antes, especialmente no norte do país. Os alojamentos em Bragança e em concelhos vizinhos, como Vinhais, esgotaram por completo, com alguns empresários a relatarem que as reservas para esta noite se esgotaram em apenas oito dias. A procura foi tanta que a cidade acabou por receber milhares de visitantes, com a autarquia a preparar o aeródromo municipal para receber perto de sete mil pessoas que queriam garantir um bom lugar para o espetáculo.

Esta corrida não se ficou pelos hotéis. A procura por óculos certificados para a observação solar foi enorme, tendo esgotado em vários pontos de venda, o que obrigou até à distribuição de novas unidades em algumas farmácias. A corrida aos óculos foi uma das imagens de marca da preparação para o eclipse. A Direção-Geral da Saúde e a Proteção Civil reforçaram os avisos sobre a importância de usar a proteção adequada, lembrando que os óculos de sol comuns, radiografias ou filtros caseiros não são seguros para olhar diretamente para o Sol.

Felizmente, o tempo ajudou. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) antecipava céu pouco nublado ou limpo na maior parte do território, o que permitiu a milhões de portugueses seguir o fenómeno. A pouca nebulosidade no litoral não estragou o plano a muitos, que puderam testemunhar um eclipse que, para além de ser um evento astronómico de rara beleza, também serviu como um enorme impulso turístico e económico para as regiões do interior, que viram a sua paisagem ser o palco principal de um evento que o país não via há mais de cem anos.

No fim, e em jeito de balanço, nomeadamente entre os mais novos, ficou uma sensação de algum vazio, pela lentidão com que se processou todo o fenómenos e porque, no território nacional onde o eclipse não foi total, a diminuição de luminosidade natural, embora evidente, ficou porventura aquém do esperado. Nos dias de hoje, em que tudo acontece à velocidade de segundos, com as partilhas nas redes sociais a sucederem-se de forma instantânea, o eclipse acabou assim por ficar algo distante das expectativas, mesmo com a certeza de que quem observou este eclipse certamente não estará cá para ver o próximo em 2144.

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