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Justiça poética nos pés de Zalazar empata o Sporting na Pedreira de Braga

O SC Braga e o Sporting empataram 2-2 neste sábado à noite, no Estádio Municipal de Braga, num jogo tão louco quanto o seu desfecho. Depois de um primeiro tempo elétrico, com golos, penáltis e o golo 100 da temporada leonina, os arsenalistas conseguiram uma igualdade nos descontos, também de penálti, que soube a prémio para a insistência e a castigo para a passividade leonina na segunda parte.

A entrada do Sporting na Pedreira foi um vendaval. Aos 22 minutos, Geny Catamo já tinha dado dois avisos, mas foi num pontapé de canto batido por Pedro Gonçalves que Gonçalo Inácio subiu mais alto que toda a gente para cabecear para o fundo das redes de Hornicek. Era o 1-0 e o futebol dos leões parecia tranquilo, ainda por cima quando Luis Suárez, três minutos depois, apareceu isolado perante o guardião checo, permitindo uma defesa monumental a evitar o 2-0.

A lei do desperdício é uma realidade no futebol e o Braga fê-la valer aos 34 minutos. Numa jogada de génio, Rodrigo Zalazar tirou Geny Catamo da frente com uma receção orientada e cruzou para uma verdadeira “granada” de pé esquerdo do capitão Ricardo Horta, que empatou a partida.

A resposta foi tão forte quanto o domínio sportinguista, e ainda antes do intervalo, aos 45+2′, Luis Suárez converteu uma grande penalidade com sangue frio, recolocando os leões em vantagem e apontando o 100.º golo da época para a equipa de Alvalade. Ao intervalo, 2-1 e a sensação de que o futebol tinha sido pródigo em emoções.

A segunda parte foi a preto e branco

Se a primeira parte foi um equilíbrio de forças com ligeiro ascendente leonino, a segunda metade do jogo teve uma só cor: a do SC Braga. Os arsenalistas, orientados por Carlos Vicens, regressaram do balneário com uma personalidade avassaladora, encostando o Sporting às cordas.

Rui Borges, treinador dos leões, viu a sua equipa abdicar por completo do ataque, oferecendo a iniciativa e o domínio total aos guerreiros do Minho. O que se viu foi um Sporting acossado, a defender com a faca nos dentes e a revelar um défice físico e anímico preocupante. Os minutos foram decorrendo com o Braga a criar expectativa e os leões a adiar o inevitável. Fresneda foi dos poucos a manter a bitola, mas o recuo era demasiado acentuado para que a bola chegasse a um Luis Suárez tornado ilhéu solitário no ataque.

Zalazar, o carrasco do minuto 96

A crença dos bracarenses, elogiada pelo próprio Carlos Vicens no final do jogo, encontrou recompensa nos descontos. Aos 90+4 minutos, num lance de insistência na área, Morten Hjulmand puxou de forma evidente o braço de Gustaf Lagerbielke. Miguel Nogueira foi chamado pelo VAR, Manuel Mota, e não hesitou: grande penalidade.

Na marca da bola, surgiu Rodrigo Zalazar. O mesmo que tinha feito a jogada de génio no primeiro golo, o mesmo que tinha sido um dos melhores em campo. Com frieza, bateu Rui Silva e fez o estádio explodir. Era o 2-2 final, num resultado que, para muitos, acabou por ser justo pelo que o Braga produziu na segunda parte.

Com este empate, o Sporting atinge os 62 pontos, falhando a oportunidade de pressionar FC Porto e Benfica antes do clássico. O Braga, com 46, mantém o quarto lugar, mas segura a esperança de sonhar mais alto.

Na flash interview, Carlos Vicens lamentou os detalhes que têm custado pontos à equipa, mas não escondeu o orgulho na reação dos seus jogadores: “A forma como terminamos os jogos tem de servir para nos darmos conta que, insistindo até ao final, podemos dar-nos créditos”. Foi exatamente isso que aconteceu na Pedreira.

texto: Inês Aires
fotos: João Mota

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