SLB 0-1 Real Madrid 2888

Benfica perde primeiro round frente ao Real Madrid com Vinícius Jr. no melhor e no pior

Um golo do internacional brasileiro Vinícius Jr., ao minuto 50′, conseguindo com um gesto técnico de qualidade ímpar, colocou o Real Madrid em vantagem no jogo da primeira mão do playoff dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, uma vantagem mínima mas suficiente para que a equipa espanhola conseguisse sair do Estádio da Luz na frente da eliminatória à partida do jogo que será disputado daqui a uma semana na capital espanhola.

O golo do astro brasileiro foi merecedor de todos os aplausos, sem dúvida, mas a forma como Vini Jr. foi celebrar juntos dos adeptos do Benfica, em clara provocação, só pode ser criticada. Ora, é aí que aparece o jovem argentino do Benfica Prestianni que, perante a atitude de Vinícius, e com a camisola a tapar a boca, terá soltado alguns insultos para o extremo merengue.

Vinícius correu para o árbitro, acusou o argentino de o ter insultado com termos racistas, Mbappé também acusou Prestianni, e o jogo de futebol acabou ali mesmo, perdendo-se a partir daquele minuto, e após mais de 10 minutos em que a partida esteve parada, qualquer foco de um jogo que passou a ser disputado sobre um relvado carregado de provocações e com o público a assobiar Vinícius e Mbappé sempre que estes tocavam na bola.

Qualidade e emoção entre iguais no primeiro tempo

Ao longo da partida, as notas que fomos tirando ao longo deste jogo entre Benfica e Real Madrid foram perdendo o sentido, ao ritmo do avanço do relógio na segunda parte. Durante 50 minutos, o Estádio da Luz viveu uma noite europeia à antiga. O Benfica, qual aprendiz de feiticeiro orientado por José Mourinho, não só não temeu o gigante espanhol como se instalou no seu meio-campo defensivo, crente na possibilidade de repetir a proeza de há três semanas.

Aos 19 minutos, Vinícius Jr. já tinha feito a bola passar rente ao poste da baliza de Trubin, mas a resposta veio aos 24’, com Aursnes a obrigar Courtois a uma defesa monumental com uma palmada conseguida junto à relva. O Real Madrid trocava a bola longe da baliza encarnada, e o Benfica, com linhas subidas, obrigava os merengues a jogar em zona adiantada, asfixiando-lhes os corredores. Até Mbappé, em duas ocasiões claras, falhou o alvo por uma unha de nada, acabando o intervalo por chegar com o nulo no marcador e a sensação de que o plano de Mourinho funcionava na perfeição.

Golo, provocações e insultos… acabou o jogo!

Mas o futebol é, tantas vezes, um conto de fadas que se desmorona num ápice. Aos cinco minutos da segunda parte, Vinícius Júnior recebeu, cortou para o meio e colocou a bola no ângulo da baliza de Trubin. Um golaço, de inegável qualidade, que resolvia o jogo. Só que para a toalha de puro linho estava reservada uma nódoa gigantesca e a forma como o brasileiro decidiu celebrar o momento – correndo para junto dos adeptos do Benfica num gesto de clara provocação – desencadeou um caos que envergonharia qualquer sala de estar. Foi a gota de água para Prestianni, o jovem argentino dos encarnados, que não se coibiu de trocar alguns comentários com o extremo merengue.

O que se seguiu foi um atentado ao bom nome do desporto. Vinícius Jr., em vez de encarar o adversário, correu desalmadamente para o árbitro, gesticulando e queixando-se de ter sido alvo de insultos racistas por parte de Prestianni. O jovem do Benfica, de acordo com o que se apurou, ter-lhe-á chamado “mono” (macaco, em castelhano). O árbitro, de imediato, acionou o protocolo anti-racismo elevando os braços cruzados, o gesto regulamentar para dar conta de um peisódio daquela natureza, e o jogo esteve parado durante longos dez minutos.

Vinícius refugiou-se no banco, enquanto os seus colegas de equipa cercavam o árbitro e apontavam dedos acusatórios a Prestianni. O jogador do Benfica, por seu turno, negava veementemente qualquer referência racista, admitindo ter chamado “maricon” ao internacional brasileiro.

Vini Jr., que ainda deixou clara a intenção de não querer regressar às quatro linhas, acabou por voltar, permitindo que também os seus companheiros regressassem ao jogo, e a partida retomou o seu curso, mas já sem que o foco do jogo conseguisse retomar a qualidade que vinha a conseguir até então, isto porque a partir desse instante o futebol estava marcado por um episódio de que se falará muito para além da história desta edição da Champions.

Arbitragem contaminada pelo descontrolo

As bancadas do Estádio da Luz, que antes cantavam, agora murmuravam em indignação. O árbitro, talvez pressionado pelo momento ou pela paragem do jogo que permitira quando assinalou o protocolo de racismo, perdeu o norte da partida. Deixou de exibir, no mínimo, dois cartões amarelos a jogadores do Real Madrid em faltas claras sobre adversários, nomeadamente um deles depois de uma clara agressão a Dahl, e, no auge da confusão, quando José Mourinho protestou de forma veemente uma falta não assinalada sobre um dos seus homens, mostrou o cartão vermelho ao treinador dos encarnados.

Mourinho, incrédulo, abandonou a área técnica num misto de fúria e impotência, consciente de que não será desta que irá regressar ao relvado do Bernabéu enquanto treinador, e tudo porque, segundo ele, apenas disse a verdade ao árbitro que sabia o que estava a fazer e quis influenciar o jogo seguinte. A explicação do treinador do Benfica, aliás, foi dada pelo próprio quando questionado pelo LusoNotícias: “uma coisa é ser expulso por estupidezes, ou por comportamentos inadequados, outra coisa é ser expulso por dizer a verdade, e eu cresci assim.”

Acabaram assim por ser 66.387 os espectadores que testemunharam a noite em que o futebol foi refém do circo. O árbitro adicionou 12 minutos de compensação, mas o estrago já estava feito.

O Real Madrid venceu por 1-0, mas a grande penalidade desta noite não foi o golo de Vinícius Jr. Foi a forma como o jogo descarrilou, a facilidade com que uma provocação e uma queixa sem prova recolhida (pelo menos para já) transformaram uma partida de futebol num ringue de acusações.

O jogador merengue irá manter a sua versão de que foi insultado, Mbappé irá continuar a dizer que ouviu o seu companheiro de equipa a ser chamado de “mono” por cinco vezes, e Prestianni, o jovem argentino do Benfica, irá certamente manter a sua versão de que terá chamado Vinícius Jr. de “maricon”, sendo certo que irá ficar com uma clara nódoa no seu currículo que dificilmente será ignorada no futuro.

A UEFA terá, agora, a palavra final. Mas a verdade é que, dentro das quatro linhas, o futebol foi o grande derrotado. Esperemos pelas cenas do próximo episódio deste encontro a ser disputado daqui a uma semana no relvado do Estádio de Bernabéu em Madrid.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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