A comunicação portuguesa está de luto. Olga Amália Cardoso, uma das vozes mais carismáticas e reconhecidas da rádio e televisão nacionais, faleceu na noite de 2 de dezembro de 2025, aos 91 anos, no Hospital de Santo António, no Porto. A perda foi sentida como pessoal por gerações de portugueses que, durante décadas, a acolheram nas suas manhãs como a inconfundível “Amiga Olga”.
A sua morte ocorreu na sequência de um forte Acidente Vascular Cerebral (AVC), sofrido no dia 1 de dezembro. A notícia foi confirmada pelo seu colega e amigo de uma vida, António Sala, que através das redes sociais partilhou a dor da perda: “Tenho o coração partido… Querida Olga, obrigado por tudo. Pela amizade, pelo companheirismo, pela ternura, pelos momentos inesquecíveis, pela tua gargalhada única”.
Uma vida dedicada à comunicação
A história de Olga Cardoso com os microfones começou de forma precoce e marcante. Natural de Miragaia, no Porto, onde nasceu a 7 de julho de 1934, foi com apenas 15 anos que recebeu o convite para dar voz a radionovelas nas Oficinas de Rádio, Som, Eletricidade e Cinema (ORSEC), capturando a imaginação dos ouvintes numa era dourada da rádio.
A sua carreira consolidou-se em 1964, quando ingressou na Rádio Renascença. Foi ali que, ao lado de António Sala, construiu um dos programas mais emblemáticos da rádio portuguesa: o “Despertar”. Durante 17 anos, a dupla liderou audiências e tornou-se um companheiro diário para milhões de portugueses, com um estilo caloroso, descontraído e genuinamente próximo. O programa ficou famoso por inovações como o passatempo “Jogo da Mala” e por emissões especiais realizadas de locais tão diversos como Viena, Macau, a Expo’98, ou a bordo de aviões e submarinos.
A “Amiga Olga” chega à televisão
Aos 59 anos, Olga Cardoso aceitou um novo desafio e estreou-se na televisão, a convite da TVI. Entre 1993 e 1994, apresentou o concurso “A Amiga Olga”, que não só deu o nome pelo qual ficaria eternamente conhecida, como se tornou uma marca do próprio canal, então em lançamento.
A sua transição bem-sucedida da rádio para o ecrã comprovou o seu raro talento e carisma como comunicadora.
Últimos anos e cerimónias fúnebres
Nos seus últimos anos, e já afastada da vida pública, Olga Cardoso enfrentou com coragem a doença de Parkinson, diagnosticada quando tinha 80 anos. Apesar dos desafios de saúde, manteve-se mentalmente ativa e rodeada pelo carinho da sua família — os três filhos e quatro netas que agora a choram.
Em respeito ao seu legado e para permitir que o público se despeça, serão realizadas as seguintes cerimónias fúnebres no Porto:
- Velório: 4 de dezembro, a partir das 10h00, na capela mortuária do Centro Funerário da Lapa.
- Funeral: 4 de dezembro, às 15h00, na Igreja da Lapa, seguindo-se a cremação.
- Missa do 7.º Dia: 9 de dezembro, às 19h00, também na Igreja da Lapa.
A partida da “Amiga Olga” provocou uma vasta onda de condolências. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou-a como “uma figura notável como pessoa e como profissional”, que cativou os portugueses e foi uma “companheira diária” na vida de milhares. A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, lamentou a perda de “uma talentosa e carismática comunicadora”.
Olga Cardoso deixa um enorme vazio, mas deixa, principalmente, o exemplo duradouro de uma profissional que, com a sua voz jovial e o seu riso contagiante, soube como poucos criar uma ligação de afeto verdadeiro com o seu público. Descanse em Paz, Amiga Olga.









