A atriz Glória de Matos faleceu esta quinta-feira, 11 de Dezembro, aos 89 anos, vítima de insuficiência cardíaca, no Hospital da Luz, em Lisboa. A notícia foi confirmada pela família, que divulgou os detalhes das cerimónias fúnebres. O seu corpo estará em câmara ardente na Igreja de S. João de Deus, em Lisboa, este sábado, entre as 18h e as 22h, e no domingo, das 12h às 15h30, seguindo-se uma missa de corpo presente antes da trasladação para o Cemitério do Alto de S. João.
Nascida a 30 de Maio de 1936, Glória de Matos iniciou a carreira em 1954, integrando a criação do Grupo de Teatro da Casa da Comédia, estrutura fundada com Fernando Amado, onde também assumiu funções de direção. A sua formação passou pelo Conservatório de Lisboa e pela prestigiada Bristol Old Vic Theatre School, no Reino Unido, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Uma carreira de seis décadas
no palco, no ecrã e na formação
No teatro, Glória de Matos foi uma presença marcante, integrando companhias como as de Raul Solnado e Vasco Morgado. A sua atuação na peça “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, em 1971, valeu-lhe o Prémio Imprensa para Melhor Intérprete de Teatro e, no ano seguinte, o Prémio Lucinda Simões. Trabalhou ainda com Manoel de Oliveira em sete filmes, incluindo “Benilde ou a Virgem Mãe” (1975), “Francisca” (1981) e “Singularidades de uma Rapariga Loura” (2009).
Paralelamente à carreira artística, dedicou-se ao ensino, lecionando na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Universidade Aberta, onde deu aulas de Expressão Oral. Desempenhou também funções públicas, como membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social e assessora da Secretaria de Estado da Cultura.
Na televisão, foi conhecida do grande público por integrar os elencos de telenovelas como “Vila Faia” (1982), “Origens” (1983) e “Terra Mãe” (1996). A sua última atuação em palco foi em 2017, na peça “Odeio-te, Meu Amor”, no Teatro Nacional D. Maria II.
Glória de Matos foi casada com o locutor e apresentador de televisão Henrique Mendes, falecido em 2004. Deixa um legado que atravessa mais de seis décadas de arte, marcando gerações de profissionais e espectadores.









