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Benfica vai do céu ao inferno no empate com o Santa Clara

Começando por receber com enorme pujança e total confiança as equipas do Benfica e do Santa Clara para mais um jogo da 11ª jornada do campeonato da I Liga, num dia que tinha começado bem cedo, logo às sete horas da manhã, quando Rui Costa tomou posse como presidente reeleito do Benfica, a plateia do Estádio da Luz foi do céu ao inferno pelo modo como o jogo recorreu, vindo a terminar com um empate a dois golos e já depois dos encarnados terem estado a vencer por aquilo que parecia um confortável 2-0.

Sem Otamendi, ausente a cumprir um jogo de castigo, mas no seu esquema “normal” em 4x2x3x1, com António Silva e Tomás Araújo como centrais à frente de Trubin, Dedic e Dahl nos corredores, Enzo e Rio atrás do trio formado por Lukebakio, Sudakov e Aursnes e com Pavlidis na frente, o Benfica prometia ter todos os argumentos para se bater de forma vencedora perante o Casa Pia, que começou o jogo em bloco baixo num aparente 5x4x1 com enormes dificuldades em conseguir esicar-se no relvado.

Com um público vibrante, as expectativas eram assim particularmente altas para as águias, que buscavam consolidar a sua posição na tabela da I Liga. Depois do Sporting ter vencido na véspera nos Açores, num jogo que terminou de forma polémica frente ao Santa Clara, e após o FC Porto jogado no fim da tarde deste domingo no terreno do Famalicão, onde os dragões venceram por um golo sem resposta, o Benfica estava obrigado a vencer e nem os seus adeptos admitiam outro resultado que não fosse a conquista dos três pontos. O Casa Pia entrava em campo com um novo treinador, depois de uma chicotada psicológica que permitiu que Gonçalo Brandão aparecesse na Luz como técnico interino dos gansos, para um jogo em que pouco mais lhe era pedido do que jogar de cabeça erguida, exigência a que o Casa Pia respondeu de uma forma digna e muito positiva.

O arranque do jogo, no entanto, mostrou aquilo que se esperava: um Benfica intenso, a jogar no meio-campo defensivo do Casa Pia, obrigando a turma visitante a recuar, apresentando um bloco baixo para procurar manter a sua baliza sem golos. A força, porém, era naturalmente dos encarnados e pouco depois do arranque da partida o Benfica demonstrava a sua força quando, aos 17 minutos, Georgiy Sudakov abriu o marcador com um remate potente de pé esquerdo, após um cruzamento de Dedic. A equipa da casa controlava o jogo e justificava a vantagem.

Curiosamente, após a vantagem, as linhas defensivas do Benfica começaram a recuar, perdendo intensidade, quase que deixando a ideia de que os jogadores às ordens de José Mourinho tivessem interiorizado que o jogo estava ganho e era uma questão de cumprir calendário. Perante isto, o Casa Pia foi conseguindo espaço para atuar no seu meio-campo e, como admitiu o técnico Gonçalo Brandão, viu que afinal também conseguiam jogar, o que lhes deu outra confiança. Esse retrocesso na intensidade do Benfica foi um sinal de alerta, mas nem por isso a equipa da casa deixava de transmitir algum excesso de confiança, acreditando que a vantagem de um golo seria suficiente e, mais cedo ou mais tarde, dilatada com tranquilidade.

Certo que o Benfica, com a redução dos níveis de intensidade, foi revelando alguma ineficácia no ataque, com Pavlidis e Lukebakio a não conseguirem concretizar oportunidades, transformando-se o jogo num verdadeiro duelo de paciência. O Benfica procurava abrir o jogo, mas as linhas compactas do Casa Pia mostravam-se resilientes, obrigando os encarnados a lateralizar o jogo, fazendo passear a bola entre os flancos mas sem conseguirem abrir espaços no interior da área da baliza à guarda de Patrick Sequeira, o guarda-redes costa-riquenho do Casa Pia. O intervalo acabou assim por chegar com o Benfica a apresentar uma vantagem mínima numa noite agora bem mais fria no Estádio da Luz.

Penáltis, golos e polémicas
próprias do futebol português

A segunda parte trouxe mais emoção, com o Benfica a entrar de novo com a energia que perdeu após o primeiro quarto de hora da etapa inicial. Aos 60 minutos, Larrazabal saltou de braços bem abertos e travou um cabeceamento de Richard Rios, levando o árbitro a apontar a marca da grande penalidade para o que viria a ser o segundo golo do Benfica. Vangelis Pavlidis assumiu a marcação do castigo máximo e, com um remate forte para o centro da baliza, enganou o guarda-redes Patrick Sequeira e assinou o segundo golo da equipa da casa. A equipa às ordens de José Mourinho transmitia a sensação de que a vitória estava cada vez mais próxima, mas a história deste jogo estava longe de ter um final feliz para os encarnados.

Afinal, apenas dois minutos depois do segundo golo benfiquista, eis que, aos 62 minutos, um penálti polémico foi assinalado a favor do Casa Pia. A bola, num lance discutível, atingiu a barriga de António Silva e ressaltou para o braço esquerdo do central da turma da Luz, numa sequência que, à luz das regras da FIFA, não permite a marcação de uma grande penalidade por se considerar ser um toque “casual” devido ao ressalto. Ainda assim, o árbitro Gustavo Correia assinalou a grande penalidade e o VAR não o alertou para qualquer incorreção na análise.

Os jogadores do Benfica protestaram, António Silva, que neste jogo foi capitão por Otamendi ter ficado ausente a cumprir castigo, fez tudo para fazer valer o seu ponto de vista, ao ponto de ver um cartão amarelo devido aos protestos junto do juiz da partida, e a bola acabou colocada na marca dos onze metros para que Cassiano, o avançado do Casa Pia, tentasse cobrar o penálti. Cassiano cobrou, Trubin respondeu a preceito com uma defesa da bola para a sua frente, e quando os adeptos do Benfica já festejavam a boa intervenção do guardião ucraniano, eis que apareceu Tomás Araújo que, com o ímpeto de querer tirar a bola da área por forma a evitar uma eventual recarga dos homens do Casa Pia, acabou por rematar “de bico”, enviando a bola para dentro da baliza do Benfica, marcando um caricato autogolo e colocando o resultado num tangencial 2-1 ainda favorável ao Benfica.

O Casa Pia reentrava no jogo, acreditava de novo que era possível construir um resultado mais positivo no Estádio da Luz, e o jogo ganhava assim um novo fôlego. Já sobre o Benfica a pressão aumentava, com o seu sector mais recuado a mostrar sinais evidentes de claro nervosismo. O Benfica não tinha agora força nem sangue frio para congelar o jogo, o Casa Pia passou a acreditar que poderia retirar algo mais deste jogo, e já para além do minuto 90, aos 90’+02′ minutos, eis que aparece o jovem Renato Nhaga a estrear-se na I Liga na condição de marcador, ao conseguir o golo do empate que gelou as bancadas do Estádio da Luz, com os adeptos encarnados atordoados e furiosos.

A confusão tomou conta do campo, com protestos para a equipa de arbitragem que respondeu com um punhado de cartões a serem distribuídos, entre eles alguns vermelhos para as equipas técnicas das duas formações, o tempo foi decorrendo com a bola raramente a ser jogada de forma consciente, e os quatro minutos inicialmente dados de compensação pelo árbitro Gustavo Correia acabaram esticados para oito, ainda assim sem consequências.

O apito do árbitro indicou mesmo o final da partida com o empate a prevalecer, o Benfica viu os seus planos de se aproximar dos líderes da I Liga esvanecerem-se, ficando os encarnados a seis pontos do FC Porto e a três do Sporting, e no ambiente do Estádio da Luz ficou um sentimento de frustração e descontentamento, não só pela arbitragem polémica, mas também pela falta de controlo exibida pela equipa comandada por José Mourinho em momentos cruciais. Afinal, o que se esperava ser uma tarde de celebração transformou-se num capítulo de muitas lições para o Benfica, que terá de refletir sobre a sua abordagem e atitude nas próximas partidas. A luta para manter a confiança e a determinação será essencial nas jornadas que se avizinham, especialmente num campeonato em que os jogos se discutem mais fora das quatro linhas do que aquilo que se joga lá dentro.

O campeonato da I Liga irá agora parar para os compromissos da Seleção Nacional, que terá que realizar dois jogos da fase de apuramento para o Mundial de 2026, havendo ainda a seguir uma ronda da Taça de Portugal, com o Benfica a ter que visitar o terreno do Atlético Clube de Portugal, da Liga 3, antes de voltar aos jogos da I Liga, na Madeira, dia 29 deste mês, no terreno do Nacional. Aliás, a propósito desse jogo, com a sorte dos encarnados e com a maré de polémica que teima em invadir o futebol português, só falta mesmo que o nevoeiro da Choupana faça das suas e arranje maneira de impedir o jogo da 12ª jornada da I Liga. É melhor não agoirar!

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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